segunda-feira, 11 de julho de 2011

Lá vou eu de novo escrever algo inútil que ninguém vai ler.

O que é o sofrimento? Fiquei pensando nisso hoje. Cheguei à conclusão de que o sofrimento não é nada que se possa denominar. O sofrimento não é um sentimento. Quando você perde dinheiro o que dói não é o sofrimento. Quando você perde um ente querido não é o sofrimento que te machuca. O Sofrimento é o resultado da sensação advinda de um trauma.

Isso parece ser óbvio. É óbvio, agora, quando você tem consciência disso. Mas muitas vezes não é óbvio durante o próprio sofrimento. Porque muitas vezes a pessoa sofre e nem sabe o porquê. Tem gente que também sofre achando que é de uma coisa X, mas sofre de uma coisa Y.

Acho que a Análise pode clarear muito a cabeça da pessoa que sofre apenas do sofrimento em sí. Porquê ele nunca está sozinho. Ele não existe sem o fato ocorrido, ele não existe sem o soco, sem o ente querido que se esvai, sem o outro ser humano, sem o amor que faz sofrer. E é preciso descobrir a causa, que muitas vezes vem disfarçada justamente para nos enganar.

Pessoas sozinhas sofrem de solidão. Esse sofrimeno pra mim advém de uma necessidade de não estar sozinha. Você pode achar isso óbvio, mas não é. A pessoa que sofre de solidão sofre porque ama. Ama tanto que não tem como retibuir. Ou talvez tenha medo de amar (por não saber?). Muita gente que diz ter medo de amar na verdade está justificando a incapacidade de existir em conjunto, ou até justificando a impossibilidade de amar o outro como a si próprio.

Não estou dizendo que pessoas que sofrem são egoístas. Nada disso. Porém o sofrimento induz de fato a um egoísmo latente dos primórdios da existência do homo-sapiens. Afinal, quando alguém taca uma pedrada na sua cabeça, a tendência é você se retirar para um canto e sofrer sozinho. Um bichinho, um animal sofre no canto, sempre. Quem já teve cachorro sabe que quando ele sofre de doença ele se retira. Essa retirada não é uma forma de atrair o próximo, é forma de ficar sozinho, no "egoísmo" que há na própria dor, mesmo quando há a certeza de que o outro pode ajudar.

Sendo o sofrimento uma conjunção de fatores e sentimentos, incluíndo as dores diversas que podem ser sentidas, ele é apenas o resultado, e nunca um sentimento. E é um erro tratar o sofrimento. Como dizia um poeta que por acaso eu não gosto, mas que é muito considerado nas bibliotecas por aí: "A dor é inevitável, o sofrimento não."

Alguém já percebeu, olhando para o próprio corpo, sentindo as veias pulsarem, o coração bater, os músculos agirem e o ar entrar e sair, que existe uma dor, mesmo que pequena, latente no mecanismo de funcionamento do corpo? Bom... eu já. Essa dor se chama VIDA. E se dor pode ser algo expelido em troca do funcionamento de uma máquina - no caso a maquina humana, então chego a conclusão de que dor é energia. É como o calor expelido pela fricção entre partes que se tocam. Se o tal poeta está correto, e eu acredito que está, a energia que nos move é inevitável, porém nos movermos é algo a ser decidido por cada um. Dor = calor; sofrimento = fricção. Portanto é importante não se maltratar de forma alguma (se friccionar).

Existe a lágrima, que também pode ser considerada energia expelida. É o substrato de algo que já foi expelido e que é o sofrimento. A lágrima salgada que é, devia valer muito durante o império romano. Talvez secando-se lágrimas a pessoa pudesse até juntar um salariozinho interessante. Hoje a lágrima não vale nada. Quando você ja não consegue expelir lágrimas há como uma combustão interna no seu ser. Um entupimento. É geralmente assim que ocorre com os sofrimentos por amor. Principalmente àqueles em que você se sente impossibilitado, o coração atado, as mãos presas... E é assim que estou me sentindo agora.



....................................mas há o tempo. Que é o melhor solvente. E o futuro, que ninguém sabe, e é um ótimo óleo lubrificante.