sábado, 29 de maio de 2021

Etneg

 

Porquê será que as pessoas têm nojo umas das outras? Eu não tenho! As pessoas são lindas para mim. Eu as adoro mesmo. Afinal, eu sou uma pessoa também! Gente é gente, é tudo igual, somos todos iguais. Mesmo assim as pessoas sentem nojo umas das outras. Por exemplo: alguém aí compraria um vaporizador, daqueles que se usa pra fumar maconha, por exemplo também, daqueles que se usa pra fumar um baseado que fosse usado? Claro que não! Porque as pessoas têm nojo umas das outras! Outro exemplo: alguém compraria cuecas usadas? Óbvio que não! Mas eu sim, eu compraria, aliás pena que esse mercado de cuecas usadas não existe, porque seria uma puta economia. Eu vejo as pessoas de uma forma ímpar. Sao boas! Realmente boas! Elas se preocupam com o próximo. Elas são benevolentes, agradáveis e gentis. 

E ESPECIALMENTE, são... caridosas! As pessoas ajudam! Elas contribuem para a sociedade sem pedir em troca. Elas te ligam quando uma bomba pode cair na sua cabeça. Elas te procuram quando você está solitário. Elas te ajudam quando você precisa!


Mas tem pessoas que são ruins. Que não prestam, que fazem o mal e não ligam para ninguém. Pessoas que nunca me procuraram. Que não procuraram saber se eu estava bem ou mal. Que não se interessaram em me ajudar quando mais precisei. Essas pessoas são pouquíssimas, se contam nos dedos! Mas graças a Deus existem essas pessoas, porque o ser humano é maravilhoso, lindo! Quero estar sempre cercado de gente! Eu adoro gente! 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Pão

 

Jack no meio do labirinto. Vou para a esquerda ou para a direita? Melhor pular. Mas pular não pode. Não está nas regras, não existe. Então dou uma de covarde e volto! Voltar também não pode. Não está nas regras, não existe! Voar pode mas eu não sou passarinho. O que fazer? Vou sentar e esperar. Mas aí o tempo passa e não fui para lugar algum. Então vou escolher ir pela direita. Pronto, fui! Mas... como teria sido se eu fosse pela esquerda?

Ai, o destino... Para o destino não existe lado nem direção pois que ele chega de qualquer maneira, passando por cima desses conceitos meramente humanos e infantis. Ir para a esquerda ou para a direita não faz  menor diferença eis que o destino avisa que o que aconteceu era pra ter acontecido. Nada acontece por acaso! As coisas são o que são porque são o que tem que ser. Será? 

Somos a quintessência da bipolaridade somos uma briga constante entre o que somos e a parcela restante que protesta e luta contra. Nossa essência é uma, porém somos divididos por uma massa negra como um plasma de um planeta e uma parte branca menor que nos rodeia tentando entrar. 

Nossa alma é miscigenada - branca e negra - não há história que nos convença do que somos, mas somos o convencimento histórico do que não somos. Nossa briga maior é contra nós mesmo, e a última parada é fazermos as pazes com nós mesmos. Alguns consegue, outros refletem, parados na encruzilhada da existência, sem saber pisar na direita ou na esquerda. 

Será que faz diferença para que lado vamos? Se fomos para um lado nunca saberemos o resultado da outra escolha, portanto penso que não faz a menor diferença. O lado que escolhemos era pra ser assim. Nada  acontece por acaso. Todo o resultado encontrado no futuro reside na certeza de que era para ser assim, não poderia ser diferente. Não existe alternativas para o passado, e o futuro ainda não existe, e o presente à partir do momento em que pensamos nele já passou. Será então a vida uma mera ilusão? Dentro desse sofisma dogmático entramos numa padaria e compramos um pedaço de pão.




terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Velho

 

Sabe essa árvore que te dá sombra

Que te protege do vento

Que te alimenta com os frutos da terra?

É velha!


Sabe esse rio que te conduz pelas cidades

Que te leva com o vento

E que te alimenta com peixes

É velho!


Sabe essa montanha que te dá segurança

Que te abriga no seio dos vales

E que te alimenta à vizinhança?

É velha!


Sabe aquela chuva que te reinventa

Tanto o teu corpo quanto à tua alma

E que alimenta o que te alimenta?

É velha!


Sabe essa terra, que tu chamas de Terra

Por ser feita do que tu vens

E que te alimenta quando tu erras?

É velha!


E sabes tu

Que não queres envelhecer?

Pois saibas bem!

Que na natureza

Tudo é velho!









quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Você!

 

Você! 

Pense em você! 

Você não sabe quem é.

Você não sabe onde está .

Você não sabe de
onde veio.

Você não sabe pra onde vai.

Você!

Você está fodido!






quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Powder


Powder.
It's all powder.
Our life is powder.
Our love is powder.
Our people - powder!

We are all made of powder
Originated by a reality 
Made of powder too.

One day we will live
To see where all this powder
Comes from

Until then
We will die
And we all be covered
With the powder
From our lives
Our loves
Our people





quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Zig-Zag

 

Não sei da onde veio
Nem sei pra onde vai
Mas nossa vida é um novelo
Preso num gatinho
Que anda em zig-zag





segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Tem dias

 

Tem dias em que a gente acorda estragado e que a mente funciona ao contrário. Tem dias em que o Sol é Lua, e a Lua vira Sol. Tem dias em que tudo é nada e nada é tudo que você consegue enxergar. Tem dias em que apesar da luz a gente não consegue afinar as pupilas, nada se enxerga, tudo é borrado e a borra mancha a vida. Tem dias em que a vida é bege, nem negra, nem rosa, apenas aquela cor mal entendida, mal explicada, sem vida. Tem dias em que o pastel da esquina vem ao contrário, a carne para fora, a massa para dentro dando engulhos, massuda e intermitente. Tem dias em que as pessoas andam sem andar, em que os carros correm sem ir, em que se chega sem chegar, e que a história do mundo parece uma mentira, e embora seja, ninguém percebe, ninguém percebe, ninguém...

Aos momentos em que eu me vejo a flutuar sem rumo, paralisado no vento que a lugar nenhum há de ir, eu penso sem decidir, porque penso sem pensar, porque minha cabeça parece cheia de terra, e os sonhos e vontades e desejos viajam apenas na vontade de chegar porém não movem-se um centímetro que seja, e a esses momentos eu os chamo de uma palavra que não posso dizer, apenas pensar, pois que ela existe apenas no pensamento, ainda não foi inventada, não está em qualquer dicionário, não se encontra na minha língua física, não pertence a um idioma, não existe no mundo palpável, não é tocável, é apenas pensável impossível de ser dita, pois que reside apenas no campo dos meus sonhos, onde meus neurônios se comunicam em segredo, sem me contar nada, infligindo em mim o desvio da separação entre o que é carne e o que é ar-pensamento, sujeito-etério, e evaporam como éter antes que eu possa captar. Nesses dias meus neurônios brincam e se riem de mim ao me fazerem de idiota, eu num meio de um joguinho de bobo onde a bola tocada por eles nunca se mostra possível aos meus braços, às minhas mãos, e consequentemente ao meu pensamento.

Há momentos na vida em que precisamos escalar a tal montanha só pra sentir o prazer de descê-la. Qual montanha inexistente; parece que pisamos em degraus que não sobem; nos agarramos em postes horizontais que não levam para lugar cima; nos deparamos com vistas maravilhosas apenas desenhadas em muros de quilômetros de altura e intransponíveis. Há momentos em que o tempo corre ao contrário sem que fiquemos mais novos. Há momentos em que os pássaros não migram, em que os aviões voam sem passageiros e em que a chuva apenas destrói nossas plantações. 

Nesses momentos tão solitários vejo a multidão sem me relacionar com ela. Vejo as viradas de ambiente, vejo os campos lindos e floridos sem o menor sentido, e a poesia é uma pílula que se toma e que seu vício faz bem. Nesses momentos não há momentos, apenas a poeira que corre dentro de uma ampulheta que a joga para cima e não marca tempo algum. Nesses momentos eu me olho no espelho e durante este olhar apenas tento focar os meus olhos. Como são bonitos os meus olhos! Não adiantam de nada pois nada consigo enxergar, mas rezo para que eu nunca perca a visão deles. Tão importantes são!

Eu, fixo nos meus olhos, consigo não chorar. O reflexo deles no espelho me impede as lágrimas de alguma forma que não sei como. Olho bem em volta do fundo negro que há neles e vejo a bela cor de azeitona, tão diferente do resto do meu corpo, tão translúcida, tão clara contra a luz, tão enigmática e animal, tão existente e tão inequivocada é a cor dos dos meus olhos, os contornos, os pequenos filamentos coloridos são pacíficos, são inebriantes e tão diferentes que eu penso: de que material são feitos meis olhos? A íris, a vítrea coloração me admira. Não há no corpo humano tal material feito de vidro. Só uma coisa me admira mais - a negra pupila - e isso me assusta. Porque tão escura encerra o círculo e cor que a tenta enfeitar. Pupila onde se pensa gardarmos tudo que a luz nos tráz. Mas não! Pois tudo o que entra se perde em neurônios que jogam bobinho comigo no ar e no vácuo da gordura cerebral e tudo é, senão esquecido, distorcido e inventado pela nossa memória falha e desejosa de algo que nos permita dizer que nos lembramos. 

Há momentos na vida em que buscamos o passado, lembramos, acessamos antigos armários mentais e achamos que estamos realmente lembrando de algo que aconteceu sem perceber que nossas lembranças são diáriamente modificadas pelas nossas vontades, veleidades, impersonalidades, recalques e desejos e até nossa alimentação. 

Eu fecho os olhos e vejo uma flor no deserto sem saber que não era um deserto nem era uma flor. Ou talvez fosse?

Há dias em que é preciso escrever.



O importante mesmo é a… LITERATURA, vitamina da IMAGINAÇÃO ! – CASA DA  CRÍTICA