domingo, 29 de março de 2020

SHOW


Come listen to my songs! Live on Facebook, TODAY! Sunday 29 at 6pm (Brasil), 2pm (Los Angeles), 10pm(Portugal).

Assista ao meu show CORONA LIVE - ALAN SOMMER! Hoje! Domingo 29! 6pm (Brasil), 2pm (Los Angeles), 10pm(Portugal).


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O que sou


Sou um músico em processo de decomposição.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Poeminha Social


Povo
Pão com ovo
Povão
Ovo com pão

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Comecei com "Eu" porque Eu quis assim e foda-se!


Eu vou começar este texto usando o pronome "Eu" só porque fui ensinado na escola que não se deve começar uma redação com o pronome "Eu".  A professora que me ensinou foi uma megera. Ela chamava os alunos tímidos e que não a suportavam ao palco da frente da turma e os fazia receber cartinhas de reclamação aos pais que deviam assinar para que ela visse na próxima aula de novo na frente da turma de moleques mimados e viciados em seus lápis de cor caros e importados como se fosse cocaína infantil.

Naquela época eu não conhecia a música do Tom Waits. Eu era muito pequeno e só queria saber de jogar bola e não estudar. Ouvir Tom é como ser surdo com audição. É preciso um lóbulo do tamanho do mundo, quando se ouve o Tom. Tenho a certeza de que o Tom mandaria a minha professora tomar no cu se pudesse - meu super herói musical, Tom Waits. Tom é um super herói sujo de óleo e sarjeta.

Eu (de novo, haha, bem feito professora imbecil) acho que as pessoas deveriam constantemente passar por um polígrafo. Mas não publicamente aplicado por alguma autoridade ou algo que o valha. Eu acho que cada indivíduo deveria ter em seu lar um polígrafo pessoal a fim de checar suas próprias mentiras. Eu acho que a sessão deveria ser privativa e solitária. Eu acho que deveria ser assim, e que o indivíduo que teimasse levar alguém consigo à sessão de poligrafia deveria ser preso pela polícia por revelar suas mentiras a alguém que não o próprio dono da mentira. A mentira de cada indivíduo é como o lixo que ele despeja nas latas da rua para o lixeiro tirar. Cada um tem a sua própria mentira e esta é particular. Não se deve adentrar a mentira de ninguém. Pode-se viver a própria mentira, porém não se deve viver a mentira de outro. Somos como labirintos. Não nos entendemos a nós mesmos nem um centímetro. Precisamos de algo que nos alerte às nossas próprias falácias, mentiras, falta de escrúpulos, falta de bom senso e foscas palavras. Se cada um soubesse quando se engana, o mundo não seria esse lixo que é.

Eu continuo a ouvir o Tom, e no momento é um Blues bem sofrido, como só poderia ser vindo dele ou de qualquer um que cante um Blues sem mentira. Aliás, o Blues é a única música que não mente. Mas o Tom com certeza mente para caralho. Mas se essa mentira é de verdade então ele pode. Se é a mentira na qual ele se transformou então tudo ok. Mas se essa mentira é mais uma maneira de comer uma boceta então não vale de nada. Acho que existe um crepúsculo entre essas duas mentiras. É como um gradiente de alma. Todo mundo nasce achando uma coisa e termina achando outra. A vida enquanto passa vai se revelando de uma cor a outra, seja de uma forma boa ou ruim. Só o tempo pode revelar uma boa mentira, mas o tempo não há.

Eu deveria ter sido jogador de futebol. Apesar de não ter muita intimidade com a bola eu era inteligente. Sempre jogava no contrapé dos adversários. E eu sabia driblar. E eu driblava como um carro que corta um ônibus numa grande avenida. Eu me arriscava, eu era pequeno, mas eu sempre passava. Meu drible era seco. Não tinha muita técnica nem era um truque. Ele era apenas uma passada de bola pelo lado, mas eu sempre passava a bola por cima da perna do adversário, e isso era bonito de fazer. Eu era inteligente.

Eu hoje não sou mais inteligente. Meu polígrafo pessoal mentiu para mim. Não estava bem regulado. Eu passei a vida achando verde e era azul. Achando 8 quando era 2. Minha massa encefálica virou pizza. Mas continuo vivo e levando. Não minto mais para mim mesmo, agora eu conto verdades que não sei se acredito ou não. Até os 40 o ser humano mente, depois ele passa mais 40 anos se convencendo da mentira.

Você, que está lendo esse texto e pensando em como eu sou maluco, ou burro ou que devo estar drogado ou falido pode ter certeza, falido sim, porém o resto nem um pouco. E se você achou a ideia do polígrafo uma idiotice faça o favor de ir ao seu banheiro, olhe bem para o espelho. Esfregue a sua cara no espelho e reflita. Olhe fundo nos seus olhos e nada pergunte, apenas responda: qual a sua mentira?

Gostaria que aquela minha ex professora imbecil que tanto me indignou e tanto me fodeu como um hipopótamo limpando a enorme e russa bunda num pobre e indefeso patinho de um laguinho qualquer, soubesse a mentira que ela ensinou. Pode-se começar um texto como se desejar. Não existe regra nas artes. Nem na vida. Qualquer escola que ensine o contrário, e todas elas costumam ensinar regras e regras e regras, qualquer escola assim merece ser implodida em praça pública. Eu desejo que um dia as pessoas se livrem de suas vestes de merda e se olhem fixas no espelho, e que através deste se encontrem no fundo de seus olhos e que bem lá no fundo vejam as suas mentiras e entendam. Desejo que se sacudam e limpem-se de toda essa poeira deixada em suas vestes pela vida, que pode ser fácil ou difícil, não poupa ninguém de suas indecisões e dúvidas e incertezas que com certeza são ornadas com o ouro de suas mentiras. E EU termino esse texto perguntando ao Tom, pois ele deve saber a resposta, eu não sei: qual é a resposta?



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domingo, 25 de novembro de 2018

Puxa-Sacos



O único fio que não corta é o fio de água.

Nada machuca. O que machuca é a pressão das coisas na gente.

Uma madeira pintada continua mantendo a sua cor original por baixo do véu de sua roupagem.

A Terra é redonda e andar é preciso.

Não movemos o vento, o vento é o que nos empurra.

Ser verdadeiro consigo mesmo não é um ato e tem peso.

Quando você puxa o saco de alguém na verdade está puxando o seu mesmo.

99% das pessoas no mundo gostariam de ser o 1% restante.



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sábado, 13 de outubro de 2018

Into the Mystic


Vamos dar as mãos e dançar sob a lua essa balada azul que colore o chão e arrasta nossos pés sem a gente querer. E enquanto a música andará nós rodaremos, e rodaremos até nossos braços passarem por cima e nos entrelaçaremos nessa lua barata de cristal mediterrâneo. Sei que o tempo só passa quando se dança, ai, queria eu fosse isso assim... Mas enquanto há dança haverá o tempo de viver. Vamos largar tudo e viver rodopiando. Só com nada mais além da esperança de uma agulha num disco de vinil. Equilibrando sobre a música reluzente como um surfista incauto. Ondas imensas e maravilhosas passarão por nós. Vamos descer à música como se desenlaçam os nós. Vamos ouvir fora dos ouvidos e eu vou passar a mão pela sua cintura de cetim, e te colocar em mim, e te soltar de novo para o mundo, e com o elástico do vento você voltará e cairá na minha boca de festim, e vai estourar seus fogos pelos olhos cheios de suspiros e açucarados haveremos de encontrar o nirvana numa roda de montanhas e sulcos mágicos na voz de algum poeta de rua, cantor de boutique, violonista de araque estupendo, pintor de bordel, artista magno, César e Czar, que vai nos atirar aos furacões, vai nos atiçar aos leões, vai nos enevoar de balanço rítmico. E ao som de um violão descascado vamos juntar nossos vernizes dourados, vamos arder no fogo armado, preparado, colocado, fabricado para nos encurralar num beco sem saída, onde eu vou te tocar os ombros, e te girar até o mundo parar para nos assistir dançar.



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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Caixas


Pessoas são como caixas. Umas são cheias, outras são vazias. E isso é óbvio e fundamental (embora sempre exista a possibilidade de estarem pela metade, aí tudo fica mais complexo). As cheias podem ser cheias de ouro, ou cheias de merda. Podem ser cheias de dinheiro, ou cheias de lixo. Podem ser cheias de livros, ou cheias de papéis em branco. Mesmo as vazias podem ser cheias de ar ou de vácuo. As vazias podem ser cheias de fedor ou de perfume. Caixas nos enganam. Nunca sabemos realmente o seu conteúdo a não ser depois de abertas. Pessoas são como caixas.

No entanto, o ar pode estar infestado ou puro, o lixo pode ser reciclado e trocado por dinheiro, e com dinheiro se compra ouro, papéis brancos viram livros - quem sabe, e mesmo da merda brotam flores (depende da merda é claro, tudo depende).

Caixas podem ser de papelão ou de madeira. Podem ser de pedra bem dura que dura mil anos, ou de chocolate que derrete e raramente dura mais que dez minutos.

Ah, sim! Caixas podem ser transparentes, de vidro ou de plástico. As de vidro são duvidosas, nos cortam e nos machucam, caem e no menor descuido deixam de ser caixas. As de plástico são geralmente jogadas fora e passam milênios poluindo o meio ambiente. Essas duas são bem interessantes pois são as únicas em que se pode ver dentro. Porém, podem ser verdes, amarelas, vermelhas, claras, escuras, foscas, decoradas, etc. Neste caso mudam a percepção do conteúdo, são hipócritas, mentirosas, às vezes inibidas, tímidas, inseguras, artístas...

Caixas podem ser redondas, bem gordas, ou finas, quadradas, altas, baixas, feias, bonitas... Quando a gente compra algo pouco importa a caixa, mas quando entregamos algo a caixa é da maior importância. Caixas são confusas, e são feitas para confundir e/ou proteger.

Pessoas são como caixas.

Não sei como terminar esse texto. Acho que esqueci dentro de alguém.



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