segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A Casa


Ó Deus, me perdoe, eu fui feliz
Mas perdi tudo, tudo, tudo,...
Não por ser ousado, mas aprendiz

Ó Deus, me perdoe, eu fui abençoado
E deixei passar a vida flores luxo
Não por ser atrevido, mas acomodado

Eu tive tudo e só achava nada
Agora acho nada dentro de tudo
E sinto saudades que me matam
Dia a dia eu morro da euforia
Que nas noites silenciosas
A lua me avisava e eu não via

Sinto a saudade da proteção de paredes minhas
Hoje sinto na carne o corte  da ironia

Que saudade, ó Deus, que saudade das janelas
Que pra mim eram simples, mas não! Eram belas...

Que saudade da escada que eu subia reclamando
Quanta injustiça minha, e ela me segurando...

A casa caiada de branco, o jardim onde fadas se escondiam
Eu podia tudo, qualquer desejo concedido me fariam...

Quanto vilipendiei, nem mesmo percebi o homem que eu era
Criança brincando como um tolo em anos de quimera

Ó, meu Deus, o quanto eu pequei...
Nos amores que lá deixei....

Ó, meu Deus, o quanto me maltratei
Sem perceber que era rei...

Ó, meu Deus, fui mau, fui mau, fui mau!
Quem mais me amou não teve amor igual...

Sinto saudades das esquinas mal traçadas e eu reclamava...
Sem perceber que era por ser um conto de fadas...

Sinto as dores da minha mangueira por mim plantada
Quando uma vez, por estranhos, despedaçada

Nós que tanto cuidamos dela...
Como pudemos entregá-la?

Sinto saudades da segurança da casa amada
Que me protegia e eu não a protegi de nada...

Hoje sei bem, sinto bem, o que só se sente na necessidade
Sei que o que perdi não foi matéria e sim felicidade

E sofro cada noite a ferida como sentinela
De esperar num sonho entrar de novo nela






2 comentários:

Rosa Rosa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alan Sommer disse...

Aí, gente que lê o blog!

Essa Rosa Rosa maluca acha que eu sou o Selton Melo!

Só rindo mesmo,né? kkkkkkkk