terça-feira, 26 de novembro de 2013

Aranhas

Os cientistas "pregam" que não existe inteligência tão desenvolvida quanto a dos seres humanos. Pois eu sempre achei que as aranhas são tão inteligentes quanto a gente, assim como as árvores, mas este é outro fato.

As aranhas constroem uma espécie de armadilha, feita da mais pura e fina "seda". A colocam em lugares estratégicos. Como lojistas num centro da cidade, elas se situam bem onde seus fregueses hão de passar. É claro que é uma armadilha, mas não são as lojas armadilhas também?

A maneira como elas enrolam seus "clientes" é funesta, dissimulada, escondida, eficiente, pragmática. Depois, com calma, sugam seus cérebros e suas carnes como contas bancárias, cartões de crédito... Um comerciante age de forma semelhante, fingindo gostar da presa, ele dissimula, elogia, "enrola", manda um papo, e no fim faz uma completa lavagem cerebral que tem a complexa finalidade de levar o dinheiro alheio. Apenas, dando algo em troca, o que é mais louvável. 

Não estou criticando o comércio, nem o capitalismo. Sou a favor do mérito acima de todas as coisas. Venho de uma família de comerciantes, e que são pessoas boas e trabalhadoras. Assim como são as aranhas, que fazem o que fazem pela sua sobrevivência. Neste mundo um come o outro, é fato. Leia-se Darwin.

No meu banheiro de vez em quando aparecem uns mosquitos odiosos. Aqueles que às vezes são da dengue e às vezes não. Porém os vejo como inimigos sendo que me picam se eu der mole. Não gosto disso. Então se aparece uma aranhazinha da quina da janela eu a deixo livre para progredir, pois sei da sua função.

Outro dia eu percebi uma delas bem no cantinho da janela. Gordinha e bonitinha, possuía a paciência que só os vendedores das grandes lojas de eletrodomésticos parecem ter. Todos de frente para a calçada, olhando expertamente para os passantes desavisados, ainda longe (mas nem tanto) de suas "teias".  O menor movimento os afasta!

Me admirava a paciência da aranha, e me perguntava como ela conseguia realmente se alimentar com tão pouco mosquito aparecendo por lá. Lembrem-se que o banheiro, devido ao seu tamanho,  é como uma cidade para os insetos. 

Então eu esborrachei o mosquito contra a parede. E a aranha incólume, estática. Depois sem querer movi a mão de uma forma que a assustou retirando-a ao seu ninho numa frestinha do ladrilho. Arrastei então com a ponta do dedo o mosquito para bem junto da teia dela; mas não tão junto, coisa de uns dez centímetros de distância ( não queria dá-la uma janta grátis, queria ver o que aconteceria mais tarde).

Horas depois entrei de novo no banheiro e notei que os restos fúnebres do mosquito já não estavam la. Ou seja: ela: se havia servido do free lunch. Achei interessante, e isso me levou a pensar em outra coisa pertinente.

Se eu posso esfolar os mosquitos contra a parede, para quê eu preciso de aranhas no meu banheiro? Mas ao mesmo tempo se eu possuo aranhas para fazer o meu trabalho sujo, para quê esfolar eu mesmo os mosquitos?

Isso me levou a refletir sobre nossa condição humana, passiva ou ativa. O que acabou me levando a pensamentos de ordem política, que obviamente estão ligados aos fatos recorrentes neste país de merda chamado de Brasil. 

Essa reflexão eu vou deixar em entrelinhas, de forma blasé. Assim como as aranhas, pois continuo achando que há nelas algo que alguns seres humanos  não conseguem entender, mas que usam no seu dia-a-dia.

A iniciativa privada e o "governo privado".






Um comentário:

Alan Sommer disse...

O Estácio é grande, querida. Passa lá pra conhecer.