domingo, 7 de julho de 2013

Sexualidade

Ele andava, olhando para os lados, seguindo seu caminho entre luzes neon e pessoas. De repente surgiu-lhe na frente uma mulher maravilhosa com uma bunda mais maravilhosa ainda. Abordou-a: 
- Caramba! Que bunda maravilhosa você tem. Posso pegar?
Ela olhou para ele com um sorriso indiferente e respondeu: 
- Olha... poder até pode, mas só se meu marido puder te pegar também.
- Seu marido? Claro que não! Eu não gosto de homem, quero te pegar sozinha.
Dessa vez os olhos sorriram, e Ele pôde ver que se alimentavam de uma luz que iluminava.
- Ok... Meu marido é esse que está chegando, tá vendo?
Ele olhou e não acreditou no que viu. O marido dela era uma loura maravilhosa com uma bunda mais maravilhosa ainda. Vestida de vermelho, se exibia com um shortinho jeans rasgado, justo como a alma.
- Mas espera aí! Você é bi? Não tem problema, eu pego as duas se quiser, já que é assim...
- Bom, então segue a gente por aqui. E fez um sinal para o "marido", que prontamente deu um toque nos cabelos revoltos e lisos e os seguiu de um jeito sexy.

Entraram num quarto completamente escuro, onde um corredor iluminado por velas os levou a uma porta. Abriram a porta e seus sorrisos de luz neon brilharam ante a cena de umas dez pessoas trepando alucinadamente. Não dava realmente para saber bem o quê era o quê ali dentro. Ele se aproximou da imensa cama, que fervilhava, e quando olhou para o lado as meninas já haviam sumido. Mas Ele pouco ligou, porque outras viriam, outros viriam também...

Chegando em casa Ele tomou um banho de mar e, com a cabeça inchada, dormiu o sono dos sonhos que lhe restavam. Dia seguinte foi encontrar com uma menina que havia conhecido na internet. Ambos haviam marcado de se encontrar num bar que ficava numa rua gay. Não radicalmente gay, apenas frequentada por "ge-ele-esses" e pessoas de outros tipos também.  Ele não era gay, nem tinha algo contra. Possuía amigos gays, mas essa menina também não parecia ser gay, e ele esperava encontrar uma menina hetero, que na realidade era o que ele gostava. Mas a menina quando chegou ele não pôde dizer se ela era apenas moderninha ou algo mais. Ela era muito mais nova que ele, e possuía muitos piercings, inclusive nos lábios, e Ele pensou se seria possível beijá-la assim. 

Óbvio que não foi só um mero pensamento dele, porém a menina não parava de falar numa amiga que ela adorava e que estava na cidade, e Ele achou aquilo esquisito. Naquele momento entrou no bar um sujeito que malhava na mesma academia dele, e Ele pensou: "Putz, é aquele cara que fica puxando assunto, agora ele vai ficar achando que eu sou gay também, vai me encher o saco, que furada..." Mas o cara apenas passou como quem procurasse por alguém, e com um cumprimento leve de olhos foi embora do bar. Ele não sabia que o sujeito era gay, pois nada indicava que fosse. Também, nada precisa realmente indicar! Porém na academia havia muitos homens fortes, cobertos de esteróides, e Ele notava uma interação diferente entre eles. Porém, esse sujeito era normal, não tomava bomba, tinha um corpo normal de quem faz esforço para conseguir o que quer da forma saudável. Agora ele "sabia" que o cara era gay, e que provavelmente sentia alguma atração por ele. 

"Mas que merda!", pensou. "O cara agora tem o mesmo direito de achar que eu sou gay, e ele pode ser um hetero como eu, que veio apenas encontrar uma menina com piercings pelo rosto..." O fato é, pensou Ele: "Ninguém mais sabe o quê é quem, e vice-versa." Em meio à sua ignorância não percebeu que desde que o mundo é mundo ninguém sabe nada de ninguém.

De noite na academia de ginástica, quase todos os dias, academia cheia, uma velhinha de uns 85 anos ficava  sentada num cantinho observando o pessoal jovem malhando e ficando bonito. E Ele às vezes a observava, entre seus exercícios. Pensava o que podia motivar uma senhora tão distinta, tão idosa, a simplesmente passar seu tempo, sentadinha,  observando jovens fazendo esforço para aumentar o bíceps. Talvez ela fosse a mãe do dono da academia! Ou quem sabe Ela fosse a própria dona! Mas ele achava que não. Ele achava que ela era uma senhora revivendo, relembrando, e sentindo a saudade de seus tempos, em que podia malhar, e que podia ser jovem. E que ao assistir outra geração utilizando o tempo que para ela havia passado, Ela existiria com mais intensidade, e assim, de alguma forma, participaria do presente. Ele ficava compungido com isso, e até se sentia melancólico ao ver os olhos da doce velhinha - a sábia criatura - como que parados, fixos em algum ponto qualquer do salão.

Toda noite em que a encontrava na academia Ele pensava em dar um sinal, um "oi" qualquer, presenteá-la com interação tão esperada por ela.. E Ele imaginava histórias de vida, e sentia uma pureza enorme naquela velhinha. Uma pureza, que pensava ele, não devia mais existir, pois que o mundo estava realmente da pá virada, e fenômenos solitários assim existiam, sim!, mas não tão, como dizer...: "originais!". 

Uma noite dessas Ele foi conversar com a velhinha, mas não sabia bem o que dizer, então apenas perguntou com muito boa vontade e um sorriso filial no rosto:
- Como vai a senhora hoje? Observando bastante a academia?
A velhinha deu um minuto, baixou os olhos e proferiu:
- Posso chupar o teu pau?








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