terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre as Revoltas

Vou dar minha opinião sobre as passeatas que aconteceram nas principais cidades do Brasil na noite de ontem. 

Para começar, não acredito em guerra sem mortes; não acredito em bombardeio sem vitimar população civil; não acredito em regras quando alguém para morrer precisa matar o outro. Se a guerra fosse assim seria mais fácil resolvê-la num tabuleiro de xadrez. 

Não sou a favor da guerra, nem da violência - muito pelo contrário - porém, sou completamente contra esse ideal "fair play" pregado por muita gente que eu conheço. Fair play é coisa de jogo de futebol, aí sim tem árbitro. Mas num conflito, numa guerra, na luta pela sobrevivência num mundo cão como o nosso, não existe o conceito:   esperar o seu assasssino levantar do chão. Isso é de uma hipocrisia tamanha.

Mas eu entendo as pessoas, apenas não aceito a sua alienação geral. Os governos inventaram a guerra com  'direitos humanos". Desculpem os utópicos, mas isso não existe. É um conceito hipócrita e "politicamente correto" que só serve para ludibriar o pensamento humano, e fazê-lo acreditar que é possível soltar uma bomba sem atingir um inocente. Somos todos inocentes! Um soldado nada mais é que um pau-mandado recebendo uma bomba na cabeça (a não ser que ele seja um mercenário). Nunca vi presidente de lugar algum no front de batalha. Quem comanda não leva bomba na cabeça, e povo é povo, com farda ou sem. Mas a questão não é bem essa.

O que se vive no Brasil é uma guerra. Existe uma corja no poder, que há centenas de anos explora o cidadão brasileiro com altos impostos e nada em troca. E essa corja, em cada nova eleição, é trocada por outra corja cujos ideais de governo são os mesmos. Mais liberais, menos liberais, todos os governos brasileiros têm levado o país à ruína e ao subdesenvolvimento crônico, através de corrupção, de mentiras políticas, de demagogia, populismo e caritocracia (sistema onde o estado busca desenvolver-se através da caridade - ou seja: esmola.). E no momento escondem-se sob o manto da falsa democracia vendida aos idiotas.

 Fazendo uma análise curta dos últimos governos a coisa é bem simples e concisa: O Lula governou por 8 anos, durante uma época de gastos exacerbados e fartura mundial, não obtendo um grande proveito disso em prol do Brasil, porém sem muitos problemas já que o mundo não estava em crise. A Dilma deu o azar de pegar o Brasil num momento em que a crise ao redor aumenta e começa realmente a afetar a economia de países como o Brasil. Ambos governos, do mesmo partido, galgados na política populista de alimentar o povo com o dinheiro do próprio povo (vide: Bolsa Família, etc.), sem construir uma infraestrutura de desenvolvimento que pudesse empregar esse mesmo povo e alimentá-lo de forma mais digna e inteligente, utilizaram desses artifícios para se perpetuar no governo. Estão e devem se perpetuar no governo através dessas práticas, pois o necessitado e ignorante votará neles por um prato de comida, sem pensar que talvez fosse melhor um emprego na construção de uma ferrovia - quem sabe? - coisa que o Brasil quase não tem, e precisa. Serão 12 anos de um governo que não construiu nada além de uma futura (nem se sabe ainda se bem sucedida) Copa do Mundo. Um dos resultados feios disso tudo: gastos públicos sem desenvolvimento geram inflação. De todos os resultados é o que mais se sente quando acontece. Porque a inflação come o poder aquisitivo do povo, especialmente da classe média (que emprega), e das classes mais baixas (que são empregadas), e dói no bolso. Li gente dizendo que uma revolta por causa de 20 centavos é uma bobagem. (!!!) Óbvio que não é! Se esses 20 centavos no final do mês somarem 24 reais, isso corresponde a um bom pedaço do salário mínimo. Considerando que a maioria nem ganha isso, pois vive na informalidade e nas ruas, 24 reais é um bom motivo para uma passeata.

Só que o Brasil não tem um histórico de passeatas e revoluções muito generoso. Tudo que se decidiu neste país, durante seus 500 anos, foi decidido nas repartições públicas. Por isso é que a cada eleição os partidos brigam e combinam a distribuição dos cargos dentro do governo. Desde um almoxarifado nos correios até uma assessoria direta no planalto faz diferença e tem a sua importância. Pois que o povo mesmo, nunca decidiu nada. 

Não sei dizer (pelo que aconteceu ontem) se isto está mudando. É cedo. Mas observei idéias e comportamentos que ao meu ver são muito inocentes. Por exemplo: Em São Paulo o povo aceitou que a polícia determinasse o roteiro (caminho) da passeata. Me sinto pasmo quando leio isso num jornal. Afinal, isso é uma passeata ou passeio pelo parque? A natureza de uma passeata é a incongruência entre povo e governo. Passeata é uma metonímia, ou um eufemismo para a palavra Revolta. Ninguém faz uma "passeata" para se divertir, não é? Passeata implica revolta contra alguma coisa que incomoda ao povo. Uma vez que o governo decide onde vai ser a "passeata" não há mais passeata. (risos)

Muitos dos meus amigos, não só eles, mas no país todo, pregaram uma passeata pacífica. Entendo... Eu atesto aqui que sou contra qualquer forma de violência. Pelo contrário, sou uma pessoa completamente liberal e contra a violência. Mas não sou burro de achar que se o Brasil entrar em guerra com algum país eu serei poupado pelo canhão inimigo, apenas por uma questão de direitos humanos. Já dizia o poeta: "No amor e na guerra vale tudo." E já diziam os beatles:" Se não fossem eles seríamos nós." Quem leu "O Príncipe" de Maquiavel sabe bem o que significa o Poder como instituição. Portanto, passeata com autorização da polícia é o conceito mais idiota que eu já li na minha vida. No dia em que revolta com o aval do estado for revolta, não é revolta. (muitos risos!) 

"Olha mamãe! Se você não me der biscoito eu vou fazer xixi no canto da sala, viu!" "Ok, filho, pode fazer xixi, mas faz lá no jardim, tá bom?" "Ok, mamãe, vou fazer no jardim então, você vai ver!!! " E nada de biscoito. 

Na França, quando Sarkozy (sei lá como se soletra o nome dele) cortou alguns anos de aposentadoria, o povo foi para as ruas quebrar tudo, queimar carros, etc. Na revolução francesa o povo invadiu os palácios reais em busca de comida. Um povo faminto, regido por iluministas, cultos, informados e com foco, cortou as cabeças de rei e rainha e mudou a França. Foi violento? Foi bem executado? Não! A França viveu um período tenebroso, e depois ainda foi comandada por um ditador maluco, porém, não seria a França de hoje em dia se a sua primeira revolta fosse uma "passeata pelo parque". 

Na Romênia dos anos comunistas, o ditador foi trucidado por um povo que não aguentava mais viver naquele regime horrível, reprimido e com fome. Um belo dia resolveram se unir entrar no palácio e cortar a cabeça do sujeito. Na Rússia dos czares foi a mesma coisa, e ainda pior! Mudou o mundo! Na Turquia, semana passada, o povo foi para as ruas se Revoltar contra medidas do governo. Se revoltar significa ir contra outras idéias e fazer valer os seus direitos.

E embora o povo brasileiro tenha a virtude da boa índole, de ser pacífico, e de conseguir reagir à fome com otimismo, uma revolta sem efeitos de nada vale. E uma revolta contra qualquer coisa só surte efeito se a parte passiva sentir medo, ou seja: a parte não revoltada tem que ficar com receio da parte revoltada, caso contrário a revolta passa a ser apenas um desfile de moda. 

Ontem o povo brasileiro teve a tão sonhada oportunidade de entrar no Congresso nacional e mostrar para os políticos safados que: eles não mandam, apenas regem a banda. E que quem manda é o povo, e que se eles não entrarem na linha o povo volta e quebra tudo. Aí sim taríamos uma mudança de situação no Brasil. Não seria a idiotice repressora e retrógrada do comunismo, nem de uma ditadura qualquer, mas sim a certeza de que as ações do governo seriam melhor cobradas, pelo povo. Com o único artificio que lhe dá o poder de mudar as coisas, e esse artifício não é o seu voto, e sim sua força. Infelizmente não aconteceu assim. E com certeza quando os ânimos se acalmarem dentro de sua felicidade colonial e seu ego burro, vamos continuar comendo pizza, só que agora com inflação.

Esta democracia que é vendida nas redes de televisões e que os jornalistas "em cima do muro" nos "ensinam" como DEMOCRACIA, é uma teoria  galgada na hipocrisia de quem apoia um status quo que sorri pro povo e rouba-lhe os bolsos. Se existisse democracia no universo o meu cabelo não cairia. Mas no nosso mundo, o mundo que criamos, o povo tem que mandar e o governo tem que obedecer. Quando é o contrário o povo morre. Esta é a formula dos países bem sucedidos, que possuem instituições fortes e povos pragmáticos.




2 comentários:

Mariana Junqueira disse...

Alan, excelente seu texto. Adorei seus argumentos e as metáforas. Parabéns.

Anônimo disse...

este texto vai te eliminar muitos *amigos*

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk