domingo, 23 de junho de 2013

Sobre as Revoltas 3

Fico lendo as postagens de meus amigos inteligentes e de meus amigos nem tanto no facebook, e sinto que ambos estão na mesma "vibe". Ambos são amigos meus e eu os respeito muito, mas acho que ninguém está muito claro sobre os últimos acontecimentos. E acho que o povo antes de exigir algo tem que saber onde está pisando. 

Você sabe aonde você pertence? E se sabe, tem olhar crítico sobre si mesmo? Sabe a natureza da sua atuação nesta sociedade "democrática"? Meus amigos parecem perdidos numa euforia maior do que a natureza dos fatos. É fato que essas manifestações são importantes: sim! Mudam alguma coisa: sim! Mas nem tanto assim. E vou explicar o porquê.

Existem quatro tipos básicos de brasileiros, no momento.

- Classe A (ricos)

-  Classe B (média)  sendo esta:

  =  classe média sustentada pelo governo, que inclui os funcionários públicos (desde os mais altos cargos como juízes e políticos, até as menores repartições), ongs subsidiadas, donos e funcionários de cartórios, tradutores juramentados, etc. Até produtores culturais diretamente ligados às leis de incentivo fiscal se incluem nesta lista mesmo não sendo do governo,  funcionários da Petrobrás e suas adjacências (muitas até importadas de fora) também. Se esqueci alguém vou generalizar incluíndo todos os indivíduos que vivem, de alguma forma, da burocracia governamental e do que gera ( para eles) o governo;   Ponto.

  =  Classe B (média) burguesa, que é basicamente formada pelos micro-empresários, de todos os tipos e tamanhos.

- Classe C (pobres ou menos favorecidos)

-Classe D (abaixo da linha de pobreza)


De acordo com essas categorias vamos elucidar um pouco deste movimento, e entender a quem interessa alguma mudança, realmente.

Geralmente, para os ricos a situação sempre está boa. O que não quer dizer que não pode ficar ruim, mas isso acontece quando investem mal o seu dinheiro, de resto não há muita chance de ficar ruim. 

À classe B vinculada ao governo não tem porquê mudar. Quem vive de cargos, recebe salário, ou ajuda fiscal, ou se inclui em quaisquer das leis de incentivo do governo, ou trabalha em firmas do governo como Petrobrás, ou ongs que recebem subsídios para prestar algum serviço ao governo, ou até mesmo um simples despachante, só tem a perder se, por ventura, o governo mudar radicalmente. Especialmente se acabar a corrupção no país. Pois que o que gera a corrupção é especialmente a imensa burocracia que só existe mediante a existência de tantos cargos e empregos e salários e incentivos e subsídios pagos com o dinheiro do governo ( e que gera inflação!). Sendo que num sistema capitalista o governo não deve ter lucro, nem ser a instituição que paga as contas, todo o dinheiro gasto pelo governo sai dos bolsos de todos. (Menos educação, saúde e segurança, isso qualquer governo tem a obrigação de financiar, na minha opinião.)

Já a classe B "burguesa", é muito mais achatada. Por ser formada por empresários, pequenos e médios, que empregam, pagam salários, tributos sobre os salários, tributos sobre seus estabelecimentos, além dos  tributos normais (muito caros no Brasil) do seu custo de vida, sem receber nada do governo. A classe C e as outras abaixo pagam também caro pelos gastos do governo. Só que...

Este governo PT instituiu o Bolsa Família, entre outros incentivos à miséria. E isto levantou, no curto prazo, o poder aquisitivo das classes inferiores, de tal forma que a classe C hoje é chamada pela mídia de "classe emergente". Porém esta melhoria aquisitiva dessa classe C é enganosa, pois que sua ascenção é subsidiada pelo governo, com o dinheiro de todas as classes acima. E foi assim que o PT se reelegeu, sustentando um povo carente de empregos. Ou seja: ao invés de construírem dez novas estações de metrô em um ano, gerando com isso trabalho e emprego para a classe C, preferiu não construir quase nada e simplesmente ajudar no sustento dos menos favorecidos, utilizando o dinheiro da classe B e da classe A, que são os que têm o poder de gerar empregos e pagar salários. Assim sendo, os milhões de cidadãos carentes, que foram acostumados a receber auxílio do governo não vão votar contra o governo, muito menos fazer passeata contra.

É sabido que o grosso da classe média fluminense é de servidores do governo, e que este número cresce cada vez mais com a abertura de novos concursos e cargos dentro do próprio governo. O Brasil que se diz "quase desenvolvido" e que se acha economicamente bem resolvido não o é. A crise leva as pessoas a tentar a sorte em concursos públicos.  O governo brasileiro sustenta um funcionalismo impossível de ser pago, e vive com um deficit enorme em suas contas públicas, até porque existem os aposentados do Estado, do Município e da Federação também! Todos esses dependem deste governo que lhes paga as contas, em detrimento de uma classe média empreendedora cada vez mais arroxada e falida. 

Como o governo resolve esta situação? Cobrando impostos! Cada vez mais e "melhores".

Então estamos indo às ruas reclamar da corrupção, dos altos impostos, e da ingerência do dinheiro público...? 

Quem está indo para rua reclamar? Os da classe C que não ganham Bolsa Família sim. Mas os que ganham não vão se revoltar. Os ricos não vão perder este tempo e se arriscar nas ruas à toa. Seus filhos talvez vão aproveitar o carnaval do seu idealismo adolescente, beber uma "cerva", e só. A classe B, vinculada ao governo, vai querer a renúncia do Cabral, do Paes, ou até da Dilma para quê?  Pra ficar sem emprego? Não acho! Sobrou a classe média cada vez menor. E que está virando C, ou tentando algum cargo no governo, consequentemente passando pro lado dos que não têm o porquê de revolucionar.

Desde que o mundo é mundo revoltas pontuais existem e acontecem. Mas custo a acreditar que esta é apenas uma revolta pontual. Não! Há realmente uma insatisfação generalizada. Até muitos que trabalham no governo estão de saco cheio. Porém desde sempre as pessoas lutam mesmo é pelos seus interesses pessoais, e não pelos dos outros menos favorecidos. Portanto, uma revolução de verdade só é bem sucedida quando é realizada pelas classes mais pobres. Estas costumam não ter nada a perder, e na hora de encarar um policial armado não sentem o menor medo. Segundo a História do mundo, revoluções são "articuladas" por classes superiores e realizadas pelo "povão". Neste caso atual  acho muito improvável que isso esteja acontecendo. Não está! E acho que têm realmente muita gente nessas passeatas que não têm a menor idéia do que eu estou escrevendo aqui, e acho mais!,  que essa gente segue as revoltas como se segue um desfile na sapucaí. 

Óbvio que existe uma parcela grande do povo muito incomodada (inclusive eu), e muito arroxada, de estudantes idealistas, professores (até do Estado) ganhando merda, etc. e que vai para as ruas. E eu acredito em quem vai para a rua consciente da sua participação na sociedade, tanto nas coisas boas quanto nas ruins. Mas não acredito em quem vai sem saber o seu papel. Isso tem um nome antigo:  esquerda-festiva.

Sei que muito amigo meu vai ler isto aqui e achar que sou um boboca, e vão até ficar zangados com minha opinião. Porém, não se esqueçam das inúmeras vezes em que a popularidade da Margaret Thatcher caiu na Inglaterra, embora ela tenha salvo aquele país de hoje ser uma Grécia, onde o povo é completamente sustentado por um governo que não aguenta mais. Se há uma crise difícil na Europa, que afeta todos aqueles países, não é a Inglaterra que vai pro buraco, e sim a Grécia.

Cada um tem que saber o número do seu sapato, para depois poder calçá-lo.










Um comentário:

Anônimo disse...

Do primeiro até chegar aqui, vc mesmo fez algumas contradições.