quinta-feira, 22 de novembro de 2012

PAZ

A paz não é menina, é rapaz. É complexa como tudo que acaba com a letra "z". Não é palíndromo, mas sim anagrama - "zap". Onomatopeia do mais rápido. Aquele que enfia a faca antes ganha a paz. A paz é o outro lado da moeda. Ela depende da guerra. Mas a guerra não depende da paz. Basta haver paz para que haja guerra. A guerra se basta em si só. Não é preciso de paz para que haja guerra. A guerra é uma decisão conveniente a alguns. A paz é a utopia a ser alcançada por todos. 

A paz é vida. A guerra é morte. Paradoxo engraçado - Luta-se mais pela vida durante uma guerra, do que durante uma paz. A paz é hipócrita. Ela nos faz apertar a mão de desconhecidos, imaginando que eles tenham passado a mão no saco um minuto antes. A guerra é pra quem tem colhões e não pede apertos de mãos, conversas tolas, obrigações sociais, desculpas esfarrapadas. É coisa de Homem.

Sinto, que o ser humano se encontra melhor na guerra. A guerra gera lucro. A paz gera guerra: é estopim. A guerra é um jogo de futebol mortal. A paz é jogo de nada. A diplomacia é a paz disfarçada. Resulta em espionagem, em ação, em interesse humano, em James Bond. 

O ser humano se descarrega na guerra. Nunca na paz. Não existe paz num alter levantado numa academia. Não existe paz no sexo. Não existe paz num jogo de futebol amistoso. O Homem é um ser competitivo. Já lutou por Sal, já lutou por comida, e hoje luta por costume. Nossa malha intercambial é feita de pólvora, salitre, e carvão.

A paz é branca. É união de cores em movimento. Mas não é dinâmica. Não gera lucro, não gera ligações. As verdadeiras ligações são geradas pela ganância, pela competição, pelo melhor cargo, pelo melhor lugar no restaurante mais caro, o duelo pela mulher mais bela. O morto no chão, caído por causa da guerra, a ele diz-se: R I P.

Bem como não existe paz no amor. O amor é a guerra maior. Esses mísseis que caem em Gaza e em Tel-Aviv não significam um dízimo do que é o amor. Amor é guerra. No amor a luta é eterna. O amor mistura todos os nossos sentimentos, pacíficos e belicosos. O amor é um mar revolto tentando constantemente provar  a capacidade do navio de não afundar. A sobrevivência é beligerante. Na verdade Judeus e Palestinos se amam tanto que precisam se matar.

Se defender? Isso é o de menos. É claro que há que se defender. Qual povo vai abrir as pernas como uma prostituta e simplesmente aceitar ser dilacerada num estupro sem fim? 

Quando vejo as pessoas a discutir as atitudes tomadas durante a guerra ou a paz, penso comigo mesmo: será isso o importante? Isso resta apenas para pagar contas. Alimentar um mundo sedento de dinheiro. Não é o sangue que move as pessoas, não é  a religião, nem a política - é o dinheiro. Aos que pensam em política, em ideologia, em religiões...meus pêsames poéticos. A ignorância pode ou não ser burra. Uma é Guerra, a  outra é Paz.

Mas esse texto foi pensado para ser sobre a Paz. Infelizmente não deu para divagar o tema sem a Guerra.. No dia em que eu conseguir falar de paz sem ter que abordar a cabeça idiota do ser humano, este mundo terá mudado. Não será o mesmo. E eu serei mais feliz. Em todos os campos, em todos os sentidos, em todas as curvas da existência, todas as pedras do caminho, dos amores, e dos jogos da alma. (Mind Games)

A Paz é um Sonho. Que minha avó fazia quando eu era criança, nos meus tenros e ingênuos tempos nada pacíficos. Porém que me remetem a primeira nostalgia, pois que passada a dor, resta apenas a memória. E esse Sonho era feito de uma massa deliciosa, salpicada de açúcar, e dentro dela vivia um recheio de marmelada romena, como minha avó. Mas o mais gostoso era a casca, a massa, a parte menos doce de tudo, e no fim dela restava apenas o detalhe do doce.

O Homem tem que comer a sua massa para chegar um dia ao seu doce detalhe. Que é um sabor que se adquire (como dizem os ingleses: "a taste to be aquired".)

Doce Paz. Ainda não te alcançamos. Não sabemos o que é. Quem sabe um dia...




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