quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Arroz

Neste momento me encontro cozinhando arroz. Arroz é fácil de fazer. Bota água, sal, alho picado e quinze minutos de microondas. Pronto! Assim a China come!

Não existe desencontros na hora de fazer um simples arroz branco. Comia-se arroz de forma melhor nos anos 60. Pelo menos o Vinícius devia, já que ele acreditava numa vida de arte do encontro. E, no fundo, talvez ele remendasse o seu dito popular hoje em dia. Pois que a vida tá mais desencontrada do que uma prato que azeda fácil. Não o arroz, esse nunca azeda antes de pronto.

Hoje o mundo é um desencontro só. Pessoas são aquilo que se fizeram delas. Infelizmente, uma regra da natureza, meio injusta a meu ver, visto que vai totalmente contra a teoria da evolução, ou não. Talvez eu esteja errado. Um ser precisa aprender a ser rápido para ser mais rápido ainda. (?) E realmente um ser sem referências é um ser sozinho. No fim das contas isso faz sentido, mas evolutivamente não ajuda em nada a partícula humana do infinito. Fode nossa vitória, seja lá qual for, existencial. Sarte me odiaria hoje.

Um gato nascido na rua, sem carinho, amor ou comida, precisa aprender a se virar, o amor dele passa a ser de segundo plano. Mas não é o amor uma saída para se conseguir uma alimentação saudável? Afinal, dois braços dados, duas mãos entrelaçadas, duas almas em sincronia, justas e verdadeiras são como uma máquina de sobrevivência. 

E o que é o amor, nada mais do que uma forma de união visando sempre a sobrevivência da espécie humana, que é fundamentalmente social. Não somos mosquitos. Vivemos em cidades onde nossa psiqué influi nos nossos papéis, capacidades, e retorno financeiro, que é o que afial nos alimenta a barriga e a alma. 

Vejo hoje um mundo que se permite de forma avessa. Um mundo livre e preso na sua fragilidade emocional, herdada por aqueles que não sabiam se doar, ou que não tiveram essa chance de se entregar, por males do destino, ou por falta de vontade, o motivo no fim, é desimportante.

Espero um dia ter quatro mãos, duas cabeças, duas bocas, dois sexos, e um amor. Enquanto isso, e para sempre, vou continuar fazendo meu arrozinho. Que aliás, não é tão fácil quanto se imagina, não! Pois um pouco de água a mais, uma mexida na hora errada e ele empapa e vira massaroca. Assim como a vida na panela.



Um comentário:

Anônimo disse...

Como até arroz. Empapado, na falta de um belo feijão, pois sim. E ao contrário do que se pensa, "amar se aprende amando", entre passos trôpegos, quedas e recomeços. Não há de ser o desamor de tempos primeiros irreparável sina. Em tempo: amo arroz.

Jô.