quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Mago

O importante é sempre o final da estória. Ela pode ser horrível; entretanto, se bem acabar, ela será linda. Ou o contrário, também se aplica. Não basta ser linda, acabou de forma mal escrita, não será uma estória linda. Há também que se entender a diferença entre linda estória e estória linda. Pois há diferença - são dois conceitos, que não vou explicar aqui, para que vocês parem e pensem. 

Quem me ensinou isso? Há muitos anos atrás, foi um velho mago. Me ensinou através de notas musicais. E harmonia também. Em cima de um velho piano, que ficou incólume, depois dele se ir tão antes da hora. Mas um dia ele me disse: "Alan, você só não conseguirá o que deseja se não quiser." E me fez mago também. E aqui estou eu revolvendo meus mundos, que são mais importantes que os seus. O verdadeiro mago transforma-se a si mesmo, e a última nota da sinfonia é, de fato, a nota principal. A sinfonia por si mesma  não importa. Mas isso só se aplica à mágica e música. 

Um dia eu acordei, e me dei conta de meus poderes. E resolvi revirar meu deserto até encontrar uma semente ,há metros e milênios, abraçada pela escuridão da areia branca. Eu olhei para a Lua, e a transformei em sol. Olhei para o Sol, e o transformei em multidão. Pus florestas em copos de água, em vez de copos de água em florestas. Eu avistei o lacre eterno e o desgrampeei. Eu espetei meus dedos nos astros, e deles jorraram o sangue tinto e doce. O vinho divino não é seco como se acredita. 

Eu explodi meu cérebro milhões de vezes, e acordei nas asas de enxames de abelhas. Eu descobri uma cor ainda desconhecida pela nossa visão, e com ela tracei um labirinto de arco-íris, que me levou ao maior tesouro, feito de um metal mais maleável, mais lindo, e mais caro que o ouro. Metal que ao contrário do outro, se ligava ao oxigênio liberando uma ferrugem cor de púrpura e aroma de perfume de mulher.

Eu desenhei no papel do mundo caminhos e trilhas que levavam à felicidade dos outros, e atravessei vulcões trajando Mustangs amarelos envenenados de lava e pó de mundo. Eu escorri lágrimas de prata e sorrisos de luar. Fiz a música mais perfeita já composta, e a dei de presente ao meu mago eterno, que resta olhando de algum lugar. Feliz e rico, como ele devia ter sido. Eu salvei a eternidade.

Como eu fiz tudo isso? Foi simples como a última nota de uma grande sinfonia. Eu apenas fui cuidar da minha vida e mandei todo mundo tomar no cu.



Um comentário:

Anônimo disse...

Existe suavidade e agressividade tão latentes nos seus textos!