sábado, 13 de outubro de 2018

Into the Mystic


Vamos dar as mãos e dançar sob a lua essa balada azul que colore o chão e arrasta nossos pés sem a gente querer. E enquanto a música andará nós rodaremos, e rodaremos até nossos braços passarem por cima e nos entrelaçaremos nessa lua barata de cristal mediterrâneo. Sei que o tempo só passa quando se dança, ai, queria eu fosse isso assim... Mas enquanto há dança haverá o tempo de viver. Vamos largar tudo e viver rodopiando. Só com nada mais além da esperança de uma agulha num disco de vinil. Equilibrando sobre a música reluzente como um surfista incauto. Ondas imensas e maravilhosas passarão por nós. Vamos descer à música como se desenlaçam os nós. Vamos ouvir fora dos ouvidos e eu vou passar a mão pela sua cintura de cetim, e te colocar em mim, e te soltar de novo para o mundo, e com o elástico do vento você voltará e cairá na minha boca de festim, e vai estourar seus fogos pelos olhos cheios de suspiros e açucarados haveremos de encontrar o nirvana numa roda de montanhas e sulcos mágicos na voz de algum poeta de rua, cantor de boutique, violonista de araque estupendo, pintor de bordel, artista magno, César e Czar, que vai nos atirar aos furacões, vai nos atiçar aos leões, vai nos enevoar de balanço rítmico. E ao som de um violão descascado vamos juntar nossos vernizes dourados, vamos arder no fogo armado, preparado, colocado, fabricado para nos encurralar num beco sem saída, onde eu vou te tocar os ombros, e te girar até o mundo parar para nos assistir dançar.



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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Caixas


Pessoas são como caixas. Umas são cheias, outras são vazias. E isso é óbvio e fundamental (embora sempre exista a possibilidade de estarem pela metade, aí tudo fica mais complexo). As cheias podem ser cheias de ouro, ou cheias de merda. Podem ser cheias de dinheiro, ou cheias de lixo. Podem ser cheias de livros, ou cheias de papéis em branco. Mesmo as vazias podem ser cheias de ar ou de vácuo. As vazias podem ser cheias de fedor ou de perfume. Caixas nos enganam. Nunca sabemos realmente o seu conteúdo a não ser depois de abertas. Pessoas são como caixas.

No entanto, o ar pode estar infestado ou puro, o lixo pode ser reciclado e trocado por dinheiro, e com dinheiro se compra ouro, papéis brancos viram livros - quem sabe, e mesmo da merda brotam flores (depende da merda é claro, tudo depende).

Caixas podem ser de papelão ou de madeira. Podem ser de pedra bem dura que dura mil anos, ou de chocolate que derrete e raramente dura mais que dez minutos.

Ah, sim! Caixas podem ser transparentes, de vidro ou de plástico. As de vidro são duvidosas, nos cortam e nos machucam, caem e no menor descuido deixam de ser caixas. As de plástico são geralmente jogadas fora e passam milênios poluindo o meio ambiente. Essas duas são bem interessantes pois são as únicas em que se pode ver dentro. Porém, podem ser verdes, amarelas, vermelhas, claras, escuras, foscas, decoradas, etc. Neste caso mudam a percepção do conteúdo, são hipócritas, mentirosas, às vezes inibidas, tímidas, inseguras, artístas...

Caixas podem ser redondas, bem gordas, ou finas, quadradas, altas, baixas, feias, bonitas... Quando a gente compra algo pouco importa a caixa, mas quando entregamos algo a caixa é da maior importância. Caixas são confusas, e são feitas para confundir e/ou proteger.

Pessoas são como caixas.

Não sei como terminar esse texto. Acho que esqueci dentro de alguém.



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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Moeda



Se eu pudesse desejar da vida


Uma coisa boa


Desejaria que ela nao fosse


Tão cara ou coroa



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domingo, 12 de agosto de 2018

Meio-dia de noite


Nos becos do meio-dia
Pessoas corriam por ruas vazias
E enquanto esbarravam em postes cinzas
Amores e flores percorriam a vida

E no fim da alegria
No gueto mais tangente da cidade fria
Um poeta berrava palavras de argila

"De que vale a poesia
Se no correr da noite
As palavras são fugidias."


"De que vale a poesia
Se no correr da noite
As palavras são fugidias!"



"AAAAHHHHHHHHH!"



domingo, 29 de julho de 2018

Meu coração



Meu coração retalhado foi costurado

sem máquina nem agulha.

Sua cor vermelha é de brim barato

comprado em loja de tecidos do centro da cidade.

Seus afluentes já se enroscaram em pernas.

Já se perderam as chaves de suas válvulas.

Está precisando de validade pra não perder a cor.

Já causou vários enfartes.

Já sofreu umas duzentas pontes de safena de amor.



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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Árvores


Um Homem é como uma pedra
Nada nele acontece 
Apenas o tempo que desmembra 
Seu coração adormecido 

A Mulher é uma árvore 
Dá frutos que caem como o vento 
Sobre as pedras de mármore 
Que assim acordam para ver o dia

Check it out boostlikes.com

Its rad!!!!


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sábado, 3 de fevereiro de 2018

Plásticos



Jonas tinha uma vida perfeita. Uma linda mulher, três filhos lindos, uma casa maravilhosa em Palma de Maiorca, um carro extremamente confortável, e um emprego onde ganhava muito dinheiro. O quê mais um homem pode pedir a Deus? Sua casa era perfeita. Ficava num desses condomínios maravilhosos sob o sol da Espanha, e era hiper vigiada por cameras e todas as parafernálias anti-bandidos. Tinha um sofá que era como se o abraçasse a cada vez, e uma geladeira, minha gente... uma geladeira com G maiúsculo. Toda dourada e enorme, parecia uma cozinha portátil. E o piso da casa parecia feito para se andar descalço pois era de uma textura quase que exclusiva e projetada. Clarabóias, sauna, piscina com a forma da inicial do seu sobre nome, um gato chinês e um daqueles micro pets dourados que cabem numa bolsa de madame dentro de um avião e que nunca latem, nem mijam, nem cagam, de tão limpos que são - esqueci a raça. Sua cama de casal era super king size, daquela perfeitas pra uma orgia, e as luzes automáticas eram como que regidas por inteligência artificial, e ele podia até falar com sua casa que ela respondia executando mil manobras tecnológicas - o que movimenta um mercado enorme de startups, mas isso não vem ao caso. Suas crianças chegavam sempre da escola com aquele ar de perfeição. Crianças perfeitas saídas de um livro do Huxley, dentes que não deviam nem cair, brancos cor de marfim, crianças de DNA perfeito escolhido a dedo pela sorte. Todos os dias chegavam com abraços e sorrisos de crianças de sorte, daquelas que tem sorte mesmo sem saber o que é isso. Sua mulher é um parágrafo à parte. Uma loura maravilhosa, nos seus quase quarenta anos. Mas "trabalhada" para parecer vinte e cinco. Sua conta com o ortomolecular dava pra sustentar a África, fora seios perfeitos lindos e artificiais que eram cobertos por seguro de vida, e que lipoaspiração magnífica! Uma mulher que odiava academia, esportes, ou qualquer coisa que significasse andar um quilômetro, porém seu abdomen era de uma perfeição grega e era "tratado" com lipo pelo menos e dois em dois anos,  e seu bumbum... nada se igualava ao seu bumbum dourado do sol do Caribe. Não consigo imaginar aquele bumbum descendo um barro, de tão "imaculado" que era. Mas Jonas era feliz, pois esse bumbum de nada tinha de santo na cama. Como pensar num amante dentro de um cenário tão perfeito e feliz como esse, porém, existia um amante. Sim. O amante era o macho rotativo. Sua mulher alimentava amores alternativos e  inventados que se dissipavam como ações da bolsa de valores, portanto eram vários, não ao mesmo tempo, só um de cada vez e mesmo assim com intervalos entre um e outro. Afinal Jonas trabalhava muito, e apesar de muito bom nas intimidades conjugais, não dava conta de tanta felicidade assim. Mas não havia problemas com isso, sua mulher sabia esconder bem, e escondia tão bem que Jonas obviamente sabia tudo o que acontecia, e aceitava com a complacência dos torcedores do Fluminense, que só enchem o Maracanã se estiverem disputando alguma final de campeonato. Para ele estava tudo bem, em ordem, bem equilibrado, afinal Jonas era um tipo bonito, bem apanhado, e quem ama uma mulher com toda a força do mundo aceita tudo né?  E além disso assistiam a uma imensa  televisão com centenas de canais e que ficava num quarto todo dedicado ao home theater da mansão. Seus programas dominicais, aliás, também os sabáticos, e etc se resumiam a pegar um sol no iate, ou se perder num imenso shopping center local com as crianças e as compras. Não é preciso mencionar que os cartões de crédito eram liberados e sem limite (nada contra o dinheiro, eu pessoalmente adoro).  Vamos ser crédulos com Jonas, ele provavelmente também possuía amantes, mas ninguém sabia mesmo. Sua mulher could care shitless about it, if you know what I mean. Contanto que não faltasse perfume e pílulas pra dormir tava tudo bem. Eu poderia passar a noite e dias descrevendo a maravilhosa vida de Jonas e dos seus, mas não há mais propósito. Eu, antes de finalizar gostaria de deixar aqui bem claro que não sou comunista, não acredito em socialismo, e adoro dinheiro, que não dá felicidade, mas ajuda a trazer. Portanto sou uma pessoa que dá valor às coisas gostosas da boa vida e que acredita que elas têm um preço e um lastro, e feliz do Jonas que podia pagar por tudo o que ele desejava mesmo que sua mulher fodesse com o personal trainer vez em quando, ou que seus filhos não esperassem pela fada dos dentes, pois não precisavam disso. Desejo a Jonas, seja lá quem ele for, enquanto personagem fictício meu, ou não, que ele se sinta em paz naquela belíssima e iluminada roda gigante junto à sua prole, e divirta-se e viva como um rei que é o que ele talvez mereça. Só uma coisa eu me pergunto: Cadê o Jonas???


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