quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Olimpíada sem mentiras

Sim, bebi. Bebi e tô afim de desabafar.

Mesmo que ninguém leia, fodam-se. Quero mesmo que todos se fodam. Quero que metam no cu toda a arrogância da ausência. Pra que serve um blog afinal? Não é pros outros; é pra a gente mesmo. Pra a gente desabafar e ser desconhecido. E foda-se o mundo idiota que não nos lê.

Desde que saiu a palhaçada da olimpíada no Rio de Janeiro, minha cidade de merda, eu quis escrever alguma coisa neste blog. Eu estava, inconscientemente esperando que alguma novidade batesse a barreira da grande idiotice pra ter paciência de escrever aqui, pra um público fantasma.

Que olimpíada porra nenhuma. Eu ODEIO olimpíada. Não acredito em inclusão social através do esporte. Não vejo futuro para uma molecada favelada que acha que vai se dar bem na vida sendo jogador de futebol ou recordista de cuspe à distância. Otário é o idiota que acredita nisso. Inclusão social é ensinar inglês, engenharia, física, etc. Quantos poderão ser recordistas olímpicos? E mesmo assim, que importância tem ao mundo um recordista? Quantos grandes nadadores o mercado comporta? 20? Tô de saco cheio de tanta palhaçada. De tanto amigo inteligente achando que olimpíada é o máximo. Porra! Vão se foder! Caiam na real! Enquanto tem gente morrendo na fila do SUS, o "Brasil" está decidindo quem vai roubar mais na preparação das olimpíadas. Olimpíada de merda. O Rio nem tem, nem terá infraestrutura pra uma olimpíada. Decepção corre minha mente: acho que alguém da Dinamarca deve ser corrupto. Porque o Brasil? País de merda. Pobre por escolha. Pobre de espírito, porque a sociedade inteligente acredita que a solução está numa "olimpíada". Vão se foder todos vocês, cuspidores à distância.

Pelo menos uma coisa boa. Os imóveis vão valorizar.

Até!

sábado, 1 de agosto de 2009

Para uma moça em uma festa

Uma festa é sempre um labirinto
Onde os caminhos cruzados
São guiados por luzes que embaralham
E inventam sensações verdadeiras

A moça
Dança na festa
Como a festa dança na moça
Linda moça serpenteando
E a música vibrando nela
Alguém olhando do canto
Brilhando com o brilho dela
Nunca viu coisa assim
A moça dançando como a vida
Nem percebia por trás do sonho
Que a vida também dança
Nas mãos do poeta
Que escreve
A moça

domingo, 26 de julho de 2009

A dureza e eu nela

Pedra mais dura, mais ingreme, mais cortante que há
Não se iluda, sua dureza não lhe previne
Existe veludo em sua superfície
E eu como um bichinho
Pequenino, vou de mansinho
Traçando meus caminhos
Por dentre suas florestas
Vou aos poucos me embrenhando em suas carnes de magma
Até chegar no seu Sol
Você é dura
Mas eu te conquisto.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O tempo não há

O tempo não existe
O tempo está parado
Apenas nós, os ladrões do tempo,
O roubamos a cada passo
Com nosso movimento
Giramos a incrível esfera
Gastamos o concreto com nossos sapatos
A massa da nossa terra
Desgastamos
Cozinhamos o pão
Comemos e morremos
Alerta, irmãos, alerta!
Não há quarta dimensão!
Há apenas o tempo que não existe
E aquele que nós fazemos

domingo, 23 de novembro de 2008

Outro dia vi a foto de uma moça que eu conheci. Na foto estavam ela, o filho de uns 5 anos, e o ex marido. Ela é uma mulher alegre e bonita. Muito bonita até. O filho é alegre como a mãe, e o pai parece ser um cara legal e cuidadoso. O pai, que também é ex marido, e ela aparecem na foto olhando o filho de forma orgulhosa e extremamente amorosa. Mas o que tem tudo isso a ver? Porque escrever sobre uma coisa corriqueira dessas?

Por nada, não. É que ao ver a foto eu pensei numa coisa interessante e paradoxalmente bela, ou talvez nem tanto, mas acomodadamente bela nos destinos da nova humanidade de cada dia.

As pessoas achavam que o ideal era sempre os pais juntos, casados em amor, e criando os filhos juntos, todos compartilhando desse amor maternal e ideal. Eu sempre achei que essa forma de união fosse a melhor para os filhos. Que só com muito amor desse tipo eles poderiam crescer saudáveis, e possuir uma idéia boa do que simboliza o amor eterno. Achei que a únicaforma de uma criança crescer feliz seria através de pais casados e que se amassem.

Mas olhando essa foto eu vejo a coisa toda de outra forma. Os pais dessa criança não se amam mais, não da maneira "ideal". São amigos. O amor mudou, viraram grandes amigos que compartilham algo indescritível.

E essa criança poderá crescer até melhor do que as que possuem a sorte de terem pais unidos no amor e em casa. Essa criança vai crescer com a exata medida do amor. Ela vai saber que o amor existe, mas acaba. Vai saber que embora acabe ele pode se transformar, e que nem tudo que se transforma vira algo canalha. Mas que pode virar sim.

Não acho que a outra criança, dotada de tudo certinho deverá ter uma vida hipócrita cheia de mentiras. Mas acho que não estará condizente com o mundo em que vivemos hoje. Ou se estiver, pelo menos não estará tão preparada para os infortúnios e degraus da vida. Cada vez mais cheios de buracos de espinhos e buracos de algodão.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obamaaaaaaaa!

Ontem no seu discurso de vitória Obama disse: "We as a people are gonna get there!. " Disse dessa forma. Não disse: "We as a country, are gonna get there." Uma sutil mudança, uma ligeira maneira parecida de dizer uma coisa diferente.

Tenho certeza de que poucas pessoas devem ter se ligado nesse detalhe. Houve outros. Mas este sintetiza o discurso do Obama. A mudança (change) que ele prega é esta. Antes os Estados Unidos eram um país, agora são um povo. Um povo misturado sim, que se auto segrega, que briga, de divide em vários, mas que acima de tudo, especialmente agora, são um povo. Essa noção hebraica de povo é algo que poucos conseguem entender, poucos conseguem realizar, botar em prática.

Ontem eu vi um momento de confluência histórica. Há quarenta e poucos anos atrás um negro e uma branca fizeram um filho mulato. Se Obama fosse completamente negro o momento histórico pontual de ontem não teria se dado. Pareceu que o destino realmente havia sido traçado por alguma conspiração universal. Foi preciso também oito anos de um fracassado governo típico redneck. Foi preciso que acontecesse na era da super e total informação, da internet fácil, rápida a ponto de poder ser usada como mecanismo arrecadador. Foi num momento em que o mundo se cansava irremediavelmente dos EUA. Se Bush pisou na jaca de forma forçada e escrupulosa, Obama pisou no arco-íris de forma inevitavelmente por acaso. Ou nao.

Sou um cético. Sempre tenho a impressão de que estão armando um teatro e que vão me enganar. Isso é um bem, e um mal que possuo. Mas acompanhei tudo ontem, consciente do que estava acontecendo. Consciente do momento histórico que se escrevia na minha televisão, aos meus olhos. Eu que vivi alguns anos nos EUA, e entendo como eles são, como pensam, como expressam seus sentimentos ambíguos de racismo e liberdade. A figura física deles nada mudou. Quem viu pela CNN o mapa azul (democrata) e vermelho (republicano) da eleição percebeu que é o desenho dos EUA durante a guerra civil. O nordeste superdesenvolvido e industrial votou no Obama, enquanto o sul patriarcal e "escravizante" votou no McCain. O centro longínquo e reacionário votou no republicano, com exceção da região de Kansas, que é um pouco mais cultural sim. A costa oeste da California votou no democrata.

Os americanos não mudaram de um dia para o outro. Não foi um milagre o que aconteceu. Foi um desenho de uma contrução histórica, que aos poucos vai traçando um novo rumo naquele país, para aquele povo. Hoje são uma maioria feita de minorias. Minorias que cada vez mais se interligam, que aumentam em volume, em quantidade e não há mais como não se fundirem. E se sobrepôem aos pilgrims iniciais.

Vai ser difícil vermos um presidente europeu negro. No dia em que isso acontecer aí sim o mundo realmente mudou de verdade. Depois de oito anos de um governo comprometido com os interesses de um segmento tradicional, pioneiro naquele país, racista, segregador e fracassado intelectualmente, o povo americano optou por fazer a diferença. Obama foi o sujeito certo, que fincou o pé certo no local certo, no momento certo. A luta ontem foi travada pela ignorância contra a inteligência. Felizmente ganhou a inteligência. Me emocionou ver americanos negros abraçados com brancos. Me arrepiei ao ver as familias dos futuros governantes no palanque (palco); louros e negros juntos num país onde eu vivi, e nunca imaginei isso pudesse acontecer. Não tão rápido, pelo menos. E nada ali foi teatro.

Tudo vai ser difícil. Ninguém sabe qual será a qualidade técnica deste governo, mas uma coisa é certa. A personalidade está aí, e ela é rara em nossos tempos, é preciso aproveitá-la. E há algo que temos que admirar no povo americano: o povo americano aprende com seus erros. Precisamos fazer o mesmo por aqui.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Meus caros amigos!
Uma grande amiga
Pessoa de olhos na luz
E luz na vida
Quis me filmar tocando uma de minhas músicas para colocar no seu lindo e interessatíssimo blog!
http://lulixpandaglia.blogspot.com/
Procurem por Alan Sommer no blog.
Um beijo
Alan