quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Resposta à Insônia


Ai...insônia filha de uma puta! O quê quer de mim? Me lobotomizar? Não deixarei! Me assassinar? Não deixarei! Fazer meu tempo se esvair mais rápido? Fazer-me signatário de minha loucura,  me amarrar louco de vez? Conjurar meus sonhos? Implantar seu insidioso chip nas minhas orelhas? Padronizar meus pensamentos? Implantar olhos em mim? Regar minhas desesperanças? Endurecer meu travesseiro como pedregulho? Não deixarei!!!

Há de ganhar a batalha, mas nunca a guerra! Que sou duro como água. E pressinto os muros que me cercam. Seus cavalos hão de passar por cima de meu corpo, mas buracos não sentirei. Pois que sou feito de buracos. Nasci incólume ao ar que me perfuraria. Nada há de me fazer brecar ante as árvores de minha morte. 

Não será antes da hora. Sua piranha devassada! Espera corroer meu cérebro como meus cabelos, mas eu sou mole. Sou água.  Fluo até o fim dos tempos e não sucumbo. Não há de me quebrar com seu vento roxo. Eu me esquivo desde que aprendi a contar pingos de ouro.

Pois atiro-lhe uma maldição: vai ficar acordada como eu, contando pregos na sua cabeça imunda; vai correr mil vezes em volta de um estádio olímpico de léguas a não se poder medir, assim como eu; vai penetrar estrelas sempiternas, assim como eu. E sempre que eu não dormir há de restar acordada ao meu lado como uma amante feia a qual eu não sinto o menor tesão. E vai dormir virada para mim sem ganhar um só olhar nem de amor nem compaixão, nem um bafo de vodca amarga.

Se tornará, justo pela sua própria insistência, humana! E pode ter a certeza de que assim vai morrer antes de mim!



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