sábado, 11 de maio de 2013

Bicicletas

Esse papo de bicicletas e acidentes merece uma cronica minha. Porque acho que as reportagens servem para tirar o foco de coisas piores, e porque o problema não é realmente nem o conceito "bicicleta", nem o conceito "acidente". E já me rendeu o saco, portanto tenho que escrever.

Tenho filhos de amigos que morreram atropelados por ônibus quando andavam de bicicleta na zona sul. Tenho amigo que quase morreu na mesma situação. Me dói quando ouço uma notícias dessas. Mas tenho algo a dizer tanto ao governo que vende concessões a essas empresas transgressoras de todas as regras de trânsito, quanto aos ciclistas.

Eu, há uns três anos, fui atropelado por uma bicicleta que vinha pela contra-mão, pela rua Pompeu Loureiro, em Copacabana. Eu estava tentando atravessar a rua e a bicicleta me atirou no meio da rua onde quase fui atropelado por um táxi. Ralei meus joelhos, mãos, e só não fraturei uma costela, ou morri, por sorte e perícia do táxi, e por Deus que fez aquele táxi vir devagar. Se eu fosse um idoso talvez tivesse morrido apenas pelo impacto - que não foi suave. O sujeito da bicicleta, ao invés de me ajudar, ficou me olhando com cara de babaca e foi embora depois de pedir desculpas, e ainda disse que a  culpa era minha. Só não quebrei a cara dele porque estava machucado.

Numa outra situação eu quase fui atropelado por dois "atletas" que pedalavam suas bicicletas há "100km" por hora pela ciclovia da praia da Barra da Tijuca. Esses quase me atingiram, e ainda soltaram milhões de imprecações contra a minha pessoa. A dez metros do evento uma placa dizia claramente: "Ciclovia: preferência do pedestre."

Também já cansei de pegar ônibus com o freio falho, sem limpador de para-brisa funcionando, super lotados, com motorista subindo o Joá depois de tomar aquele café "batizado", que nunca é parado em qualquer Lei Seca, e que dirigem como loucos, atingindo um limite de velocidade bem acima do que lhes é permitido e furando todos os sinais. Foi um desses, com certeza que matou o filho do meu amigo anos atrás.

Então qual é o problema: os ciclistas ou o governo? Os dois.

Eu morei fora do Brasil muitos anos e sei o que significa uma ciclovia! Uma ciclovia é uma construção urbanística. Ela tem que ser bem projetada. Ela precisa de amparos, de meio fio próprio, ou precisa ser construída em lugares com afastamento dos carros. Em qualquer situação, em qualquer lugar desenvolvido, o pedestre é soberano. No trânsito é ele quem dita as regras. Pode ser um maluco atravessando no sinal, porém não pode, por lei, ser atropelado. Diz a lei que a preferência é sempre do pedestre, e isso inclui (na lei) tanto o ciclista quanto o motorista. Bicicleta, amigos, também é veículo!

E não adianta o imbecil de um prefeito mandar pintar uma faixa vermelha no canto da Figueiredo de Magalhães e achar que isso resolve o problema. Por mim ele podia pintar uma faixa no seu próprio cu que isso não seria uma ciclovia. Ciclovia não é uma coisa que se decreta. É uma coisa que se constrói. É populista simplesmente diminuir uma pista importante de carros, e achar que ali as bicicletas vão poder passar em paz só porque a rua agora é vermelhinha. 

Mais que populista, é de uma incompetência digna de cadeia.

Mas o que me aflige mais é a parcimônia, a ingenuidade, a ilusão que as pessoas têm de que basta uma faixa vermelha e elas estão a salvo dos vândalos sem educação e civilidade que dirigem neste país de merda. Será que esses ciclistas acham realmente que nada vai acontecer com eles? Será que basta um capacete bonito? Será que a "faixa vermelha" os protegerá? A ignorância, passividade, e burrice do povo brasileiro ajuda muito a um governo de merda que usa todos estes atributos de seu povo para se eleger. De novo, e de novo, e de novo...

E os pedestres que são atropelados por ônibus e bicicletas, quando estas trafegam na contra-mão rompendo todos os códigos sociais de conduta e de trânsito, e arrebentam costelas por aí? Isso sai no jornal?


foto de Inácio.



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