quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Os Fogos estão aí!


Pelo olhar de um conhecido meu...

Andava-se. Seguia-se sempre em frente. O bairro era congênito. A multidão! O povo engolia o espaço menos o tempo. Gente. Muita gente! Seguia-se em frente, sempre em frente, e cada vez mais gente! No meio do caminho a loucura. E muitas barraquinhas desmontadas na areia serviam de pontos cardeais. Gente!, o mar era gente! Povo! A alegria de muitos fedia. Massa humana olhava como uma só, portava-se como um. O fascínio do medo. Da multidão, de muita gente, de uma criança no pescoço, nos ombros, sem entender! Pronta pra chorar! Nunca se viu tanta gente em nossos olhos. Eu já despedaçado, e a criança a se despedaçar. Mas seguia-se sempre em frente, e o "em frente" não acabava, e o mar não chegava, mas já estava, e os olhos não atravessavam a massa, e foi me dando uma loucura, de que a coisa é da pá-virada, ou sou eu que tô errado, ou será - ela me mata... mas que responsabilidade, eu num deserto entupido...bastava um espirrar e o ano novo acabava já!

No fim, o mar. Mesmo assim a turba. Pobre raça humana feliz, torrando seus créditos e mesadas pra ver o esplendor de alguma beleza ilusória rápida e bancada por infelizes. Pobre massa encantada... Não realiza nada. Não entende nada. Só pára pra ver. Foram uns 20 minutos de eternidade ejaculada ao céu. E o Rio mostrou à que veio, e a quem tanto chegou. Lindo! Foi lindo e assustador! Deu pra doer à onda... Você está preso à onda. Não há como fugir! Não há para onde olhar! Não há lugar! O espaço é uma ilusão. Basta um espirrar e o mundo se acaba na multidão. E o Estado, feliz; e o Povo, na sua ignorância - criança -, em cima de um ombro múltiplo viu, acima de tudo e de todos, no brevíssimo segundo em que os fogos cessaram no ar, o alto do Morro do Cantagalo disparar, espirrando seus fogos pelo ar,  para mostrar a quem conseguisse entender: tá tudo dominado! Feliz 2013!!!


Foto dos fogos do Cantagalo (Foto do site da Globo)

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