sábado, 22 de setembro de 2012

Divagações sobre uma Bolinha

O que é uma bolinha? Não sei dizer. É algo inconstante. É algo que dificilmente fica parada. Nada depende tanto do solo quanto uma bolinha. É o próprio solo, em certas situações. O Sol é uma bolinha no universo. Os buracos negros não se sabe ainda, mas provavelmente são bolinhas de gravidade. A gravidade é uma bola, pois é curva e preenche de bolas o universo, e isso nos atrai.

Símbolo máximo a perfeição geométrica, a bolinha possui ângulos infinitos. Portanto pode ser um universo em sí mesmo.Não há nada tão finito quanto infinito numa forma circular. A bola não precisa de ninguém para rolar. Mas precisa do movimento. Um instrumento dotado de uma bolha mede superfícies planas onde podemos ficar em pé sem muito esforço. O Pilates faz com que fiquemos em cima de bolas que nos torturam. 

Não existiria o futebol sem uma bola. Não existiriam veículos sem bolas. Não existiria a cabeça humana sem  a impossível bola mágica intangível. Os psiquiatras morreriam de fome. As olimpíadas não existiriam. As guerras também. O que prova que a bola tem efeito duplo. Malefícios e benefícios. É bom ganhar uma bolada na mega-sena, porém uma bolada no rosto pode te matar. 

Já tropeçou numa bola? Já achou dinheiro na rua, no chão? Nosso pensamento, na maioria das vezes tende a ser circular. E podemos passar uma vida inteira sem alinhá-lo. Um filme do Woody Allen não passa de uma bola. Do Almodovar também. O Dark Side of The Moon é uma bola, e fala dela. O que seria dos poetas sem a Lua, bola magistral, que nos salva a noite. O que seria das caravelas sem as bolinhas do céu para as guiar contra os rochedos e recifes? 

Quando alguém morre desconfio que deva virar uma bola de qualquer coisa. Quando você taca azeite na panela quente ele forma uma bola. Quando a maizena encaroça vira bola. Nosso estômago embrulha e forma bolas que doem até sair em peitos que circulam o ambiente.

Átomos são bolas, Elétrons são bolas. O acelerador de partículas é circular. O universo vai e vem, e não sei como os cientistas ainda não comprovaram que ele nada mais é que uma bola que gira e se repete, assim como a espiral de Aristóteles, que devia ter uma barriga de bola, e que acertou em cheio. Pois eu posso continuar escrevendo sobre bolinhas a vida toda, e vou sempre voltar ao mesmo tema, ao mesmo início. Porque nossa história é nada mais que uma bola. Assim como o nosso coração é uma bola complicada por demais, e a música que eu faço é sempre inspirada em formatos circulares. E a Terra...Ah! A Terra...Bola intangível, por onde sonhamos dia a dia, nosso padrão circular.

Quando menino eu lia a revistinha do Bolinha, e adorava. Meu pai jogava bolinhas de gude, e eu jogava botão. Quando quero mandar alguém a merda eu faço o símbolo da bola com a mão. Nao deve haver emoção mais do que marcar um gol no maracanã, e sem a bola isso não é possível. Um cumprimeto de mão, conceitualmente é uma bola. Um beijo na boca é uma bola. Um bolo é uma bola. Um bombom é uma bola. Um estádio é uma bola. O amor é uma bola que fura. Minha poesia é uma bola. Um quadrado, na verdade, é uma bola que se desvirtuou. E a  vida é uma bola de neve.





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