segunda-feira, 26 de março de 2012

O álcool

Nenhuma droga serve ao ser humano tanto quanto a bebida. O álcool não é divino, é mundano. Por isso mesmo. Não que eu esteja bêbedo. Nem um pouco. E se eu estiver você nunca vai saber. Mas eu sei quem está. E isso é poder sobre o outro. 

A bebida é imensa. Um copo de cachaça tem a altura de montanhas. Podem derreter o mundo, degelar as cordilheiras, aumentar as marés, a  cachaça será sempre eterna. Custa dez reais e te leva às nuvens. Não te marca encontros com seres míticos, nem entidades, nem qualquer outra coisa parecida. Ela é a própria entidade.  A garrafa é o símbolo do bem que traz o mal, e do mal que traz o bem.

Começa-se a beber com uma ingenuidade infantil. Todos somos bebês frente à uma garrafa de conhaque. Vai se bebendo e de repente, como num milagre, o segredo se abre. O mundo despe-se do seu disfarce de mundo e torna-se um palhaço, e então, só então, é possível compreender o drama universal. Mas essa compreensão é desabada no ato, porque é impossível compreendê-la e ao mesmo tempo senti-la. Portanto baixa no indivíduo uma aura de certeza, de poder, de discernimento ante à vida que não há em qualquer outra substância.  E neste momento você "entende" a vida. Sente a vida. Vislumbra o certo e o errado. Seus problemas se derretem como gordura dentro do álcool maravilhoso, enviado pelos deuses astronautas para que existisse a evolução.

Acredito piamente que o ser-humano ainda seria macaco se não houvessem pingado nele uma gota de Steinheger.