sábado, 31 de março de 2012

Cavalo de Troia

Cavalos são seres generosos e muito inteligentes. Esta estória me foi contada por uma amiga austríaca, que adora cavalos e que sabe bem das suas veleidades.

Imagine um cavalo negro, daqueles europeus, de raça pura, crina boa pra Stradivarius, lustroso e majestoso, com personalidade forte, músculos definidos e inteligência de personalidade fortíssima, ao mesmo tempo arredio e canastrão, ao mesmo tempo determinado, esperto e brincalhão. E ainda nascido na Austria, terra dos que só olham para a frente, nunca para os lados. Cavalo de império Austro-Húngaro, isso sim.

Pois bem.... o cavalo, já deu pra perceber, era tão forte quanto marrento. Rápido, destemido e traiçoeiro, como todo cavalo amável que se preze. Não é o amor um sentimento traiçoeiro, afinal?

Minha amiga tinha o costume de cavalgá-lo com rapidez, aproveitando sua condição física jovem e sua velocidade ímpar. Já a imagino cavalgando pelos campos repletos de relva verde, com seus fundos alpinos, e Edelweis perdidas pelo branco das beiradas das neves eternas.

Imagino uma trilha sonora, como a do "Sound of Music", com uma Julie Andrews, e sua voz pungente e doce,   narrando idas e vindas de cascos europeus, típicos de belos natais brancos e perfumados por pinheiros. Músicas que aliás, minha amiga odeia. Mas fazer o quê? Viva Irving Berlim!

No auge da corrida, cabelos e crinas reluzindo ao sol da manhã, e se deixando levar pelos ventos, que um dia expulsaram turcos, o cavalo cada vez mais induzido a acelerar. E a carreira agora mais intensa trazia à moça uma paz de felicidade, e de liberdade, só possível naquele momento. Era tanta a paz, que não havia como não fechar os olhos e sentir o vento na cara, e o mundo a rodar aos galopes de tal incrível animal.

Foi nesse momento, de olhos fechados e braços abertos, num galope frenético, que de repente uma estaca de madeira colocada em algum lugar na horizontal atingiu de pronto a testa da moça austríaca. Não é preciso nem dizer que a moça tombou para trás e caiu. Tombou chega a ser eufemismo, ou metonímia, sei lá... só sei que em um segundo lá estava ela deitada de costas na relva do campo, atirada e estirada, braços abertos ao céu, desmaiada por poucos segundos, porém viva, graças a um capacete especial de montaria.

Zonza, foi recobrindo os sentidos abatidos, e, ainda deitada, parada, de braços bem abertos e corpo imóvel, finalmente abriu os olhos. Seu primeiro olhar não foi o céu azul. Pois sim! Deu de cara com o cavalo, que ria seus dentões há pouquíssimos centímetros da cara da "dona" estatelada no chão. 

RRRRIIIIIINNNCH!!!!!!!!!!!!! (tradução: ahahaha!)


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