segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Morrer

Às vezes penso em morrer. Não em me suicidar, pois não acredito em suicídio. Não que não se morra assim também, simplesmente acho indigno se matar. E não teria a coragem. Mas às vezes penso em morrer. Penso na facilidade do morrer.

Acabariam os problemas banais que me assolam, as invejas que me derrubam, as burocracias que me interrompem, os medos dos finais de mundo, as chatices dos reveillons mal-amados, as músicas que entretêm os outros menos do que me doem a alma, os amores lúdicos existentes apenas nas nuvens da minha necessidade,  as mentiras que não sei distinguir, os amores vãos e singelos, os amores vãos que me destroçaram, e finalmente as minhas células jovens e cansadas poderiam parar de esperar, esperar, esperar...

A morte é o fim do labirinto. É o fim das nossas auto-análises, da nossa alma, dos nossos corredores sem fim, escuros, repletos de morcegos. Dirão os "alegres" de plantão, sempre a me criticar: "Não seja idiota, que a vida é prosa, e cheia de passarinhos e sol."  Às vezes penso que a vida é uma caverna cheia de corujas e aranhas peçonhentas, e que apenas no fim desta encontrar-se-há um passarinho em algum perfume de mel.

Hoje, há 5 minutos atrás, gripado, nariz constipado, e peito dilacerado pelas coisas que vejo, tanto quanto as que imagino, pensei que seria um belo ato de nepotismo se Deus me levasse e me entregasse qualquer coisa para fazer que não significasse vagar por essas paragens humanas tão erradas e doídas.

Sei que perderia o sabor das amêndoas, e os açúcares das cerejas...Sei que não conseguiria morrer sem a audição da música! Mas a água caindo, e eu pensando, pensava que não conseguia viver... E me lembrei de uma música que eu fiz há um tempo onde relato de forma romântica e pueril a falta das coisas mais importantes, e muitas delas supérfluas. Música recente, nunca tocada ainda, composta numa época em que eu pensava possuir pelo menos algum amor no bolso, e em tal música.

Hoje vejo que não possuo nada além do que me foi dado no momento de minha concepção. E se posso ficar feliz com isso, acho que devo. Devo este significado, e este respeito aos meus pais e a Deus, chame-o como quiser. Ha! Sou mais experiente, é vero. Grande merda.... Aprendi que aquela frase maravilhosa, daquela música maravilhosa dos Beatles, "And in the end, the love you take is equal to the love you make.", é a coisa mais sábia que há, e também a maior bobagem de todas, e que "Love, love me do, you know I love you... so please, love me do." é a explicação do que realmente significa amar.

Aprendi com grandes músicos que "the lunatics are in my head". E aprendi que o teatro traveste imbecis, e que a única arte que se doa (verbo:doar) totalmente é a Pintura. Outro dia dia fiz uma música despretensiosa para uma letra que me foi dada, e que em um desses minutos inexplicáveis, captou uma música vinda de mim. E a letra, logo depois, dias depois de ter concebido a música, percebi que tinha tanto a ver com o que tem acontecido comigo, que parece que a coincidência nem é mágica, é de propósito mesmo.

Sinto que mãos me dirigem na direção correta, e que na maioria das vezes eu não as sigo, e elas choram por mim... Saiba, seja lá quem quer que seja que me leia, que sempre que escrevo estou sozinho, e que derramo nas palavras a maior dor que existe, e que é a dor de viver.

2 comentários:

Carol disse...

Beautiful text... but very sad.

Anna Jô. disse...

Eis aqui uma leitora que sempre vai te amar.