segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Aletro e a Maldição de Zeus

Existia numa pequena cidade na costa do mar Jônico, na Grécia, um casal de camponeses que por se amarem da maior forma possível, e por tantos anos, um amor perfeito, provocaram assim a inveja de Zeus. Zeus então lançou sobre eles cada vez mais dificuldades que iam tornando suas vidas difíceis e colocando deste jeito, em prova, o seu amor. Porém a cada dificuldade, mais unido o casal se mantinha, e seu amor era cada vez mais sólido.



Um belo dia este casal teve um filho, fruto de seu amor intocável. A criança foi chamada de Aletro. Zeus, ao ficar sabendo da notícia, mandou um mensageiro ao casal, levando a eles um pergaminho com uma mensagem. "Por causa de seu amor incólume aos meus desejos, lançarei um desígnio ao seu filho, sendo o qual, ele não deverá procurar amor em lugar algum, ou em qualquer pessoa, nunca! Ao invés, o amor terá que procurá-lo, e nunca o contrário. E que se, por ventura, seu filho desrespeitar esta ordem será punido com a pior das lástimas provenientes do amor: nunca encontrá-lo."

Aletro cresceu e se tornou jovem e forte, porém seus pais sempre o preservaram de seu destino, pois tinham fé que com uma criação repleta de amor, e com sua beleza e juventude Aletro, facilmente não precisaria procurar amor. Este viria a ele facilmente. Porém Zeus vendo o crescimento saudável de Aletro, e com muita inveja de seus pais, fez com que Aletro encontrasse, em seu caminho, um cavalo dotado de poderes mágicos, chamado Solidão. Aletro se afeiçoou ao cavalo, que era negro, forte e lindo. E assumiu Solidão como um fiel amigo, que o levava para onde ele "achava" que queria ir.

Solidão e Aletro eram inseparáveis. E formavam a perfeição como dono e cavalo, e cada vez mais, um parte do outro, iam juntos a todos os lugares. Porém, sempre que Aletro tentava cavalgar para o Vale das Flores, onde o Sol brilhava e inundava os corações de amor e luzes de possibilidades, Solidão de alguma forma desviava o caminho e subia às Montanhas das Neves Fluorecentes, lugar inóspito, bem longe de tudo e de todos. 


Nestas montanhas nada havia de interessante, apenas neve confusa e adstringente aos olhos, e no cume a casinha pobre de um ancião, o velho Esperança. O velho passava os dias desenhando calendários para marcar mais dias, e cozinhando bolos de vento. E numa dessas viagens de Aletro às Montanhas das Neves Fluorecentes, Solidão deu de cara com a casa do velho, e sem saber quem ele era, deixou que Aletro fosse de encontro a ele.

Aletro, então, bateu à porta do velho, que o recebeu com café quente, e bolinhos de mel. E durante a conversa Aletro contou ao velho de sua vontade por cavalgar o Vale das Flores, e de sua impossibilidade de sempre seguir naquela direção, sem saber o porquê. O velho, que era uma espécie de mago alertou Aletro, mostrando a ele que, de fato, era o seu cavalo, Solidão, que sempre o levava para aquelas bandas inóspitas, de propósito. 



Aletro se encheu de indignação e tristeza, saiu da casa do velho pela porta dos fundos sem que Solidão o visse, e quando começava a seguir uma trilha que levava para longe daquele lugar deu de cara com uma flor. A única flor que incrivelmente resistia àquelas temperaturas gélidas. A famosa e raríssima Edelweiss. Aletro se apaixonou imediatamente por Edelweiss. Pois esta era uma flor especial, tão especial que era a única que conseguia sobreviver naquele ambiente e ainda assim ser a mais linda, a mais forte, a mais adaptável das flores de qualquer lugar. E que possuia uma cor linda, e uma presença contagiante. Aletro e Edelweiss se identificaram logo que se encontraram. E foi amor à primeira vista.

Aletro pegou Edelweiss em suas mãos com todo o carinho do mundo e voltou para a casa de Esperança que disse a ele: "Preste bem atenção, Aletro. Encontrou amor, mas isso não o livrará de seu cavalo..." Aletro não entendeu bem o que o sábio ancião dizia, agradeceu, se despediu e foi ao encontro de Solidão, esporeando-o e ordenando que saíssem logo dalí e voltassem para a casa de seus pais. Foi tanta a empolgação, que Aletro nem olhou para trás. Esperança apenas o mirava pela porta entreaberta, e com seus olhos azuis e sábios, o mirava, e pensava, pensava, pensava....



Aletro cavalgava Solidão com vontade. Desciam as montanhas com velocidade intensa, feliz por encontrar amor. E assim foram correndo e cavalgando as estepes frias até chegar no sopé quente, perto da região de sua casa. E durante o caminho à sua casa, seguiu Aletro, feliz da vida. Quando enfim chegou botou a sua mão no bolso para pegar Edelweiss, porém ela não estava mais lá. Aletro então olhou nos olhos de Solidão e sentiu-o rindo por dentro e quieto por fora. E foi aí que Aletro se deu conta das palavras do ancião e as entendeu. Edelweiss era a mais maravilhosa das flores, porém pertencia às montanhas nevadas e inóspitas. Ela não aguentara o calor das planícies. E olhando de novo para Solidão, entendeu porque o cavalo ainda estava ali, lindo, de pé, negro e brilhoso, fitando com seu olhar de grandes e certeiras pupilas. E Aletro teve certeza naquele momento de que o olhar de Solidão sugava todo os seus sonhos, e o reduzia a um niilismo desumano, e pior! Solidão ainda estava ali, de pé, maravilhoso e altivo, não havia desaparecido, assim como o ancião previra, ele, Aletro não se livrara do seu cavalo...



Aletro então saiu de lado, e pegou emprestado o cavalo branco de seu pai e que se chamava Temperança. Montou-o e saiu cavalgando Temperança, enquanto seu pai balbuciava as palavras vindas de Zeus, e  que Aletro não chegou a ouvir....

Aletro dirigiu-se ao Vale das Flores decidido a encontrar um amor. Sensível que era, forte e bonito, sabia que encontraria, porém, não sabia de sua maldição. E depois de dias, meses, e anos, Aletro voltou para casa coberto de flores, porém nenhuma era como Edelweiss. Aletro, então já não possuia a juventude de outrora, nem a flor que queria de verdade. Entrou em casa e ouviu de seu pai a estória da maldição de Zeus, e correu para o campo e gritou e imprecou a Zeus que aparecesse e duelasse com ele. Vendo que Zeus não apareceria e percebendo a sua insignificância, Aletro pegou a espada que empunhava e com o coração cheio de mágoa e tristeza ante à sua sina,  tentou se matar.

Zeus, então levantou de seu trono e parou Aletro com a seguinte frase. "Aletro, meu caro... Amor não se busca, se encontra." "Como não conseguiu da primeira vez e não teve paciência para esperar a segunda vez, lançarei outra maldição sobre sua cabeça humana: Não poderá nunca morrer de amor! Nem que queira ou que tente! Passará a eternidade a sofrer até que o amor o encontre, pois a faca nunca há de trespassar suas costelas pelas suas próprias mãos."

Naquele momento Aletro já havia se apunhalado diversas vezes sem que em nenhuma delas fosse causado qualquer tipo de ferimento ou dano. Não era imortal. Não havia se tornado imortal, apenas sua solidão, esta sim seria imortal enquanto ele, Aletro, procurasse o amor que existia fora de si mesmo.

3 comentários:

Anna Jô disse...

Lindo...mas existem estufas e refrigeradores...e o querer mais que querer...o Amor sempre encontra um caminho "Anti-Zeus"...

Edelweiss disse...

Dá-me frescor...refrigera-me a alma com a renovada esperança em seu tempo devido...e não padecerei enquanto flor.

ALICE disse...

Lindo,Alan,lindo,entrei pra dentro da história como se fosse um filme,porque voce não escreveu um livro ainda??/