quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Efeito Borboleta???

Não acredito naquela história de que o assassínio de uma borboleta pode alterar a ordem das coisas no universo. Acho isso uma besteira. Uma imensa baboseira. Um sofisma até.

Acredito que as coisas se anulam. O assassínio de uma borboleta nada significará para humanidade, quanto mais para o universo. Algo acontecendo simultaneamente anulará o fato. E algo sempre acontecerá para anular o fatídico evento da borboleta. Ou de qualquer outra coisa.

A não ser que o evento seja algo que de fato mexa diretamente com terceiros. Por exemplo: O sujeito pisa numa borboleta e ela morre. Nada acontece, pois a borboleta ia morrer mesmo, ela não ia descobrir a próxima lei da relatividade, não era um líder das massas, era só uma borboleta. Polinizaria algumas plantas e só. Pois então, algumas plantas novas não nascerão daquela borboleta, mas vão nascer de outro algo, que pode ser o vento, ou o cocô de um beija-flôr, ou de outras borboletas. Algo vai acontecer para anular tal fato. Talvez uma supernova exploda naquele exato momento e o mundo acabe, e surja outro.



É claro que se toda uma espécie de borboletas for dizimada da face da Terra, aí sim haverá uma interferência.         Mas existe sempre a supernova que pode explodir, ou blá-blá-blá...etc. É aí que entra o que eu acredito. Eu acredito que a morte da borboletinha não causa nada de tão influenciável assim. Assim como acredito que um carro passando sozinho pela Rua Barata Ribeiro, Copacabana, à noite,não vai mudar o mundo apenas por existir, ou por passar pela rua. Não é isso que move o mundo. Mas se, por acaso, este mesmo carro estiver sendo guiado por um bêbado, e este bêbado atropelar cinco pessoas paradas na calçada esperando o sinal fechar, aí sim! acontece uma mudança no mundo. Mas se o bêbado não atropelar ninguém, for apenas parado na lei seca, e depois seguir pra casa com uma multa a mais, isso não vai fazer qualquer diferença para a vida das pessoas, ao planeta, ao universo, nem a mim mesmo.

É claro que estou sendo pouco romântico. Faz bem para as pessoas acreditar que se pisarem num buraco e caírem no chão, que esta queda terá importância universal na ordem das coisas. E quem ler isto pode até me odiar, mas eu mesmo já caí no chão milhões de vezes e não senti, nem vi mudança alguma acontecer. "É claro que você não vê, ô idiota!, mas acontece." Dirá o sujeito infeliz. E a única coisa que posso dizer é: "Deixa de ser burro, ô infeliz." Mas por ironia do destino, ele não sabe que a sua ignorância fará sim muita diferença para o mundo e quiçá para o universo.

Poucas pessoas sabem, mas eu sou um artista mentiroso. Muitas músicas, assim como textos meus são inventados do nada. Invento personagens dramáticos para pôr em letras de músicas românticas. As pessoas acham que eu sofri com isso, e é óbvio que sofri. Mas sofri como autor. Algumas vezes com inconscientes alheios, outras puxando, da minha própria mente, sentimentos dolorosos de fatos que não aconteceram literalmente, mas que aconteceram de alguma outra forma em minha vida, ou em algum plano mental só meu. Ou seja: só Eu sei a dor que me dói, ou que não Me dói.

Porém, minhas idéias expostas são verdadeiras. Pelo menos naquele momento. Pois acredito muito mais num mundo dinâmico do que num mundo religioso. Acho que fazer mal a alguém resultará numa mudança universal. Fazer algo que não afetará de forma negativa ou positiva a vida de terceiro, a um certo grau, não resultará em nada de significativo. Acho que como judeu, que sou, mesmo não sendo religioso, acredito na lei  da "volta". Nas Tábuas da Lei, Deus escreveu: "Não matarás.  Não roubarás, etc." Acredito que são todas leis de "interferência intersocial". Ou seja: o mundo dá voltas. Sacaneie alguém. Mas tenha a certeza de que será sacaneado também. Roube o dinheiro de alguém, que mesmo que enriqueça, vai pagar com sua consciência. Pela lei do Kharma, de alguma forma se paga quando se faz mal a terceiros. Pode ser  com um soco no olho, com algo pior, ou com o próprio livre arbítrio deixado por Deus a Caim depois que este assassinou seu irmão Abel: a mente da gente é nosso pior algoz e prisão. Saber-se um merda é muitas vezes pior que ser um merda. "Não mentirás." Está escrito também. Mas Deus poupa os artistas verdadeiros (Mas só os verdadeiros, não os babacas de plantão.)


Eu conheço um cara que já andou muito por aí. Já viu muitas gentes, não experimentou de tudo, mas já viu de tudo. Já voôu o mundo. Já viveu experiências perigosas e outras honestas. Sei que esse sujeito às vezes senta na calçada e tem a coragem de chorar, pois já chorou em calçadas de lugares perdidos e lugares encontrados. Já foi roubado por falsos amigos, já foi roubado por suas próprias necessidades, e enganado por seus próprios olhos. Nunca matou borboletas, mas já matou formigas e baratas e sabe que um cometa não vai partir a Terra por causa disso. Nem você vai ganhar na loteria por causa disso. Este sujeito sabe que uma lágrima rolada pela face cai apenas no chão e pronto. Nada acontece disso. Não gera um terremoto na China. E sei que esse sujeito já rolou lágrimas.




Às vezes ele me liga e conversamos, e dou conselhos a ele. Conselhos de vida. Às vezes conselhos de amor. Mas sobretudo conselhos. Ele raramente me ouve, mas tem me ouvido mais. Tá ficando idoso, já não alimenta sonhos de picaretas. Ultimamente ele aprendeu a lei da borboleta. O mundo muda quando algo interfere nele de forma contundente. O simples acender de um fósforo não muda nada. A não ser que você enfie esse fósforo nos olhos de outra pessoa. Aí sim, essa pessoa tem a vida mudada, que consequentemente mudará a vida de outrem, e assim irá até voltar para você de alguma forma não muito boa. Pois já dizia outro personagem: " A natureza cuida." E é verdade constatada na pele.

Esse sujeito já andou por ruas desertas à noite.Sozinho, e já sofreu a solidão dos que escolhem por ela. Já o aconselhei diversas vezes a não ser assim, mas me parece que muitas vezes a solidão alimenta almas amadas. É o paradoxo da borboleta mesmo. O sujeito não vai deixar de ser amado por ser só, mas ele precisa experimentar, ele precisa desta queima de gasolina irreal para ir em frente. O mundo não vai mudar por causa de sua solidão, mas ele acredita que sim. Ele acredita, assim como Bob Dylan acreditava que Mr. Tamborine Man fosse um personagem capaz de mudar alguma coisa. Com certeza mudou, mas foi anulado por outra coisa que tornou seu Ph neutro. E é fatal, mas todos nós teremos nossos Ph's neutralizados um dia. Todas as obras, todas a vidas, todos os olhares, todos os amores e etc.




Esse sujeito já foi como o Pequeno Príncipe. Já visitou vários planetas e já amou flores que tentou proteger. Mas achou isso impossível. Ele já cativou e já foi cativado, mas sabe que há sempre a hora de partir.

Este sujeito não sabe viver. Foi arremetido ao seu próprio mundo e lá se encontra. Seu planeta apenas possui calçadas, e mais nada. Não há casas nem árvores. Minto, há um imenso Jatobá. Pois sombra é importante e lá bate muito sol de dia. Mas é só isso que tem lá. Não têm pessoas. Apenas aquelas que vivem dentro dele e que ele sabe que precisa cultivar. De resto são calçadas, onde rolam lágrimas sempre sob um céu estrelado e ao gosto de uma Coca-Cola geladinha. E ele me disse uma vez que não há invenção melhor que a  panacéia perfeita.

Ele também fuma cigarros. E eu já mandei parar. Ele diz que cada cigarro altera o curso da vida na Terra.  eu disse a ele que não. A Fábrica de cigarros talvez.... Mas que o vento que sopra de manhã trazendo os últimos aromas das Flores da Noite anula a fábrica. Pelo menos enquanto houver um equilíbrio. Ele disse que ácido faz bem pra sua saúde pois o tira da realidade. E que isso altera o universo. Deixe estar. A única coisa que altera o universo é o amor.

Um dia ele me perguntou: "O que é o amor?" Minha pobre resposta foi: "Algo que eu conheço muito, mas desconheço bastante." E ele antes que eu terminasse a frase (pois é muito insistente e parece mesmo o Pequeno Príncipe) insistiu: "Pode me dizer realmente o que é o amor?"

Aí eu pensei melhor e mudei toda a minha concepção sobre este texto. Quanta burrice! É óbvio que matar uma borboleta muda o curso do universo!

2 comentários:

Syl Dietrich disse...

Uau! Quase não respirei. rs.
Muito bom. Vc escreve bem. E concordo com você em tudo, ou quase tudo.

Mas, no que vc acredita, afinal, matar uma borboleta muda o curso do universo ou não?

Sim e não, eu penso.
Vivamos, é melhor. Mas sabendo e respeitando a lei do universo, que diz que tudo o que vai, um dia volta (como você tbm comentou).
bjo.

Anônimo disse...

Tudo para o universo é importante.

Tanya cabeza!