sexta-feira, 30 de setembro de 2011

À corda

Dorme, minha amada, dorme, que nada importa nesta caminhada
E se existe caminhada é porque existem passos a serem caminhados
E existindo passos, são estes, pelas flores carmesins,  gastos e trilhados
E se trilhados e gastos foram seus sonhos, imagine sua jornada!


Dorme, amor da minha vida, que sem vida eu não luto nem consigo
Dorme com vida, taciturna vida, porém bela como andes imersos
E se há inverno é porque há alguma gota de alegria num abrigo
E se há vestígio, há também de existir luz no mais triste dos versos


Dorme minha flor, que tudo que necessita é lama para crescer e florir
Lama, minha menina, chame tuas montanhas, corte seus livres anzóis
Lembre-se que em algum pasto há uma grama a teus atos sorrir


E lembre-se! Eu seguro sua mão sem a firmeza da minha própria...
Mas seguro! Seguro o leme das correntezas, embarcado e atando os nós
Dorme, querida.... E acorda! À corda! que a calmaria sempre nos apropria!