segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Crise Mundial

Bom, vou dar a minha opinião sobre a crise mundial e sobre o "declínio" da maior potência mundial, os EUA.

Tenho certeza  de que o que lemos nos jornais é repleto de baboseiras. Acho realmente que existe uma "força" X que engana quem lê. E acho que se 10 % dos economistas ou analistas conseguirem entender o problema da atual conjuntura mundial isso é muito. Ou seja: somos iludidos a acreditar em bobagens o tempo todo. Fala-se de muita coisa, porém acho que a explicação é bem simples.

Durante 500 anos o mundo inteiro foi colonizado por países mais fortes. Poucos países desenvolvidos que pilharam e extorquiram e dizimaram culturas e civilizações ao seu bel-prazer.

Nos últimos 100 anos, um país memorável, por ter sido colônia e ter se libertado de forma poderosa do jugo, enriqueceu graças às crises que afetaram mais a Europa do que o resto do mundo: as duas grandes guerras. Este país são os EUA. Que enriqueceu alimentando, dando suporte tecnológico, construíndo uma super indústria bélica lucrativa e principalmente dando refúgio aos milhares de sobreviventes e fugitivos das guerras. Especialmente judeus, altamente qualificados. Juntamente com Italianos, Irlandeses, etc. Ou seja: houve uma entrada de mão de obra cara e barata sem precedentes. Aqui no Brasil aconteceu a mesma coisa, porém menos. Deu-se início à guerra-fria, blá-blá-blá blá-blá-blá e blá-blá-blá....

Mas o grande acontecimento dos últimos 200, 100 anos foi o empobrecimento do "resto". A Europa, dona de uma cultura invejável e extremamente pragmática sempre se recuperou reatingindo seu grau de qualidade econômica. Os EUA enriqueceram de forma absurda movidos por uma locomotiva de pessoas cujo único interesse era crescer, prosperar dentro de um país livre, democrático, grande, rico em carga humana e recursos naturais. Um país que se desenvolveu e acabou desenvolvendo talvez mais do que devia, gerando uma nova geração riquíssima e portanto mimada.

Os EUA, hoje em dia, são um pais sucateado. Aquela locomotiva humana advinda da imigração refugiada da guerra, altamente capacitada e forte de braços, envelheceu e deu lugar a uma nova geração acostumada com a riqueza. O grande problema econômico americano é uma dívida de bilhões, que não se tem como pagar, e que foi protelada por anos e anos baseada na confiança de um estado forte, capaz e produtor. Só que este estado não é mais assim. O americano hoje (e já há muito tempo) consome três vezes mais do que pode pagar. Essa situação de super-bonança levou o americano a gastar e gastar e gastar não tendo que trabalhar o correspondente, ou seja, perdeu-se o lastro que é a relação enre trabalho e emprego. Há muito tempo o americano trabalha menos do que consome assumindo uma dívida enorme frente aos bancos mundiais.

Ao mesmo tempo a política deste país se polarizou em duas forças antagônicas porém muito parecidas. Dois partidos de direita, onde um se diz esquerda, mas não é tanto: Democratas e Republicanos. Os outros são pequenos demais e sem representação contundente. É claro que houve mudanças clareadoras nos EUA. Era um povo acostumado a lutar por seus direitos, e embora ainda seja, é bem menos. A locomotiva dividida entre inteligentes e fortes que ergueu a maior potência mundial do século XX esfriou, envelheceu e deu lugar a um povo indignado, porém acomodado em sua situação de suposta riqueza. E com uma raiva idiota do "inimigo" que vem de fora.

A Europa descente, ou seja, a democrática, ou que pelo menos se libertou a tempo de seus ditadores idiotas também cresceu, se unificou e se transformou num império. Mas cometeu erros nesta unificação. Uma unificação bonita, onde mercados menores ,como por exemplo o da Grécia, se uniram com grandes como França e Alemanha. Lindo, porém, inviável no momento em que um tem que pagar a conta da corrupção do outro. Governos sérios sustentando governos brincalhões pelo bem geral do Euro. Ao mesmo tempo a liberdade de fronteiras, tanto para europeus da comunidade, quanto para cidadãos de segunda classe das antigas colônias (todas praticamente européias) é geradora de conflitos de ordem social e econômica nunca dantes vistos.

A bolha que estourou em 2008 nada mais foi do que uma crise de liquidez, uma crise do crédito. Uma casa que valia 100 mil dólares não poderia ser vendida a 500 mil dólares . Bancos financiaram a orgia da gastação do crédito das super-economias. Para povos que podiam comprar sem oferecer garantias. Um belo dia alguém percebeu que a casa que valia 500 mil na verdade valia 100 mil. Obviamente esse efeito foi devastador nos países que se meteram na farra - os ricos. Países como o Brasil não deixaram de sofrer por serem mais sérios, mas sim por possuirem um histórico de inadinplência alta, de um povo miserável que, se comprava no cartão, possuía poucas chances de quitá-lo. Daí a precaução.

O Brasil é um país que engana o seu povo. Nossa inflação não é segurada com desenvolvimento e sim com o empobrecimento. Por exemplo: toda a vez que sobe a inflação o governo sobe os juros, empobrecendo o povo que deixa de gastar levando a inflação para baixo de novo. Mas a farra do último governo. A gastação do Lula, a quantidade de ministérios inventados apenas para enfiar funcionalismo público em troca de favores políticos, os gastos com um assistencialismo digno de país vermelho, a caritocracia, estão elevando a inflação. A solução do governo será a recessão, como sempre foi. O Brasil não é sério.

Mas o grande problema no mundo desenvolvido, o grande "insight", e razão deste texto é: os países desenvolvidos estão pagando o preço pela pobreza infligida ao resto do mundo por eles mesmos durante 300 anos. Especialmente os últimos 100.

Um país rico como os EUA não têm como pagar 50 dollares mensais para um trabalhador braçal. Pois os países empobrecidos têm. Um país rico como os EUA não têm como sustentar um povo que consome mais do que produz. Pois a China, empobrecida há 200 pela Inglaterra, hoje cresce a 9% ao ano graças a uma população pobre que trabalha por miséria. Enquanto um inglês não pode NUNCA trabalhar por uma miséria e viver em Londres, por exemplo.

Hoje americanos estão invadindo o México em busca de trabalho. É claro que não interessa ao México. Durante anos o México foi quintal pobre dos EUA, produzindo vestuário barato que ia ser vendido em NY pelo quíntuplo do preço, para americanos ricos que pagavam com cartão de crédito, ou seja, sem dinheiro. E mexicanos não podem entrar nos EUA.

Quando a bolha estourou, furou primeiro no mercado imobiliário americano. O que foi que o governo americano fez de primeira? Protegeu os bancos e instituições financeiras que faliriam por falta de dinheiro. Mas o governo americano errou. Existe um príncipio de um grande economista que diz: "Não existe almoço grátis." Esse é um princípio sábio, de vida, e não apenas econômico. Diz o óbvio: que a conta, é sempre paga por alguém. Se você janta com sua família num restaurante e não paga a conta fugindo pela janela do banheiro, o dono do restaurante é quem paga. E se ele não tem para pagar, o distribuidor de materia prima alimentícia no atacado é quem paga, e se este também decide não pagar, a dívida continua sendo repassada até que alguém pague. Ela não simplesmente se desintegra. Mas o Obama teve que fazer uma opção: ou ferrava o povo americano, ou ferrava as grandes instituições empregadoras do povo. Decidiu pelo mais fraco: o povo. Talvez acha-se que a crise passaria ao largo. Mas crise nunca passa ao largo. Obama apenas protelou o inevitável: o pagamento da dívida. Usando o dinheiro do governo aumentou a dívida americana, e o desemprego, pois o povo pagou a conta do Estado. Afinal, se baseado na tal lei econômica, nada pode ser salvo, pelo menos se algo deve ser ajudado esse algo deveria sempre ser o povo. Em 29 o governo americano, quebrado, foi contruir pontes, para que o povo pudesse trabalhar e gerar divisas ao final da contrução. Isso não foi feito agora.

Os EUA são um país divido entre dois partidos contrários à imigração. Que dificultam, hoje em dia, o que os tornou ricos no passado. Se os EUA liberassem a imigração de qualquer indivíduo, com potencial de trabalho, e pelo menos uma quantia de, digamos, 50 mil USD no bolso, e partisse para contruir pontes, de acordo com meus cálculos, pagava sua dívida para com o mundo. Mas não. Hoje em dia para se visitar a Dysneylandia já é difícil conseguir visto. Os EUA precisavam de um partido intermediário, que não tomasse chazinho como a Sarah Palin, nem que  tirasse onda de Revolucionário como o Obama.

O incrível, engraçado e tosco paradoxal neste momento mundial é que se todos os países desenvolvidos decidissem realmente investir pesado, não em suas próprias instituições falidas, mas nas dos países fodidos em desenvolvimento, isso geraria um impacto tão grande nessas sociedades miseráveis, que passando a possuir mais fartura não poderíam mais possuir uma população sub-assalariada. E só aí, então, o mundo "civilizado" teria uma chance de voltar a ser o dominante, líder de um mercado tecnológico que se esvai dentro da necessidade de produção de soja para alimentar chineses, trabalhadores braçais, de 17 horas por turno. Por incrível que possa parecer, a solução dos países de primeiro mundo é transformar o último mundo num ser igual.

Um comentário:

Miupy disse...

Cai EUA, Cai EUA...
O Estados Unidos tem um sistema capitalista onde movimenta muito dinheiro, e que possui mídias corporativistas burguesas que alienam o povo, falando que o capitalismo é bom, que o capitalismo traz desenvolvimento, etc... mas milhares pessoas morrem de fome. Essas mídias tem o objetivo de mascarar tudo isso. E essas mídias também expõem padrões consumistas de pessoas e objetos, esperando que o povo compre e seja e faça tudo igual, e expõe padrões prontos de beleza, fazendo que o povo acredite que só o homem musculoso ou a mulher siliconada são binitos (eles põem alguém diferente de vez em quando só para dizer que são "contra qualquer forma de preconceito"). Mas esse sistema tem um ponto fraco, chamado BOLSA DE VALORES. Se você derrubar a bolsa de valores, derruba o capitalismo junto. Já tivemos um exemplo disso em 1929.