quarta-feira, 6 de julho de 2011

Elipse

Meu nome é E.. Eu sou um homem que não anda. Não! Não me entendam mal! Não sou paraplégico, nem uso uma daquelas horríveis cadeiras de rodas doadas por tios pederastas. Eu não ando porque não quero. Andar pra quê? Onde vou chegar? Chegar a lugar nenhum? Quem anda, amigo, nunca alcança.

Está provado pela televisão. O planeta Terra um dia colidirá com um enorme asteróide. O Asteróide anda. A Terra não. Gira em círculos que nem uma autista, mas não anda, apenas percorre o mesmo, o lugar-comum dos deuses. E esse asteróide (que anda) vai se chocar com a Terra e dizimar todos os seres que pensam andar para algum lugar, mas que estão nada mais que andando sobre uma superfície autista, que não anda, apenas percorre uma elipse.

Elipse de merda. Odeio elipses. Nunca consegui aprender matematicamente nada sobre elipses. Na minha escola de merda achavam que meu cérebro era uma elipse. Se eu pudesse mandaria a minha antiga professora à merda e enfiar a elispse no cú. Mas ela já morreu, coitada. Coitada nada! Espero que esteja vivendo uma elipse eterna no quinto dos infernos.

Um dia uns meninos malvados a trancaram na sala. Me lembro como se fosse hoje. Era recreio, o sinal havia tocado e todos haviam saído e só restara ela e os três meninos, e eles quizeram fazer o diabo com ela. Um trancou a porta e os outros puxaram sua saia. Apanharam pra caralho. Ela era bem forte. E sua bunda parecia uma elipse. Me perdoe Kepler ou qualquer outro bundão intelectual, mas a elipse é o círculo com Síndrome de Down.

Como já disse antes, meu nome é E.. Minha mãe era matemática e meu pai escultor. Ele vinha de uma família rica. Também, pra ser escultor sem ser mendigo só vindo de família rica. Minha mãe era uma louca que só pensava em elipses e hipotenusas. Meu nome deve ter sido gerado da primeira. Por isso me odeio. Nome é tudo na vida. Tenho uma amiga que se chama Astra. Porra! ASTRA??? Que merda significa ASTRA???? Nome que fica entre estrela e galã de cinema.... Não conseguiu nada na vida. O nome é o nosso prenúncio.  Mas isso não importa. Li num ensaio do Camus sobre o suicídio que a vertigem é na verdade a vontade de cair e não o seu medo. Faz sentido. Mas Camus morreu de cigarro, acho, ou de batida de carro, o que é parecido com se jogar do poste, e se chamava Albert, que é um nome até razoavelmente bonito. Portanto o que falei foi uma enorme bosta.

Sei que esse negócio de literatura é balela. Papo de otário. Porque eu li tanto na minha juventude, mas TANTO, que se não aprendi nada até hoje é porque realmente não vale a pena a tentativa. A gente tem que ter a exata noção das coisas nessa vida. Temos que saber que não importa o que façamos, a Terra gira em sua elipse idiota e autista, e isso nada terá a ver com qualquer música de Noel, qualquer quadro de Michel Ângelo, ou com a vitória do Fitipaldi há décadas atrás. O mundo é uma história de ficção científica, amigo! Você pode construir cidades, ruas, carros, gavetas, trompetes, comer putas na rua, ser assaltado, trabalhar em sua cidadezinha aparentemente normal, mas a verdade é que acima de nós existe uma infinidade de estrelas desconhecidas e que só não batemos nelas porque nossa elipse idiota nem as alcança. Somos objetos do desconhecido, mesmo que façamos toda a força do mundo para significar algo, tudo que significamos é uma merda de elipse.

Acho que minha mãe me chamou de E.. por causa disso... Ela morreu dizendo: "É elipse...  elipse... elipseeee..." Anos mais tarde um primo experto meu usou essa palavra e abriu o cofre onde ela guardava seus trocados no corredor. A puta velha que dizia ser pobre deixou meu primo rico, e no momento ele deve estar fazendo um cruzeiro em formato de elipse pelo pacífico sul. E eu que achava que minah mãe estava clamando por mim...

Moral: eu não fui importante nem para a minha mãe. Ou, quer dizer, pelo menos ela se lembrou do meu nome na hora de inventar um segredo de cofre. Também, quer saber? Foda-se! Esse meu primo se chama Farniseu. FARNISEU! Ouviram? Que especie de nome é esse? Pior que pega todas as gostosas. Elas dizem que o nome remete a pau grande. Mas é mentira, a única coisa que as mulheres olham num homem é a carteira, quem gosta de pirú é bicha, amigo!

Mas pra encerrar esse texto elíptico, quero comunicar que já peguei meu copinho de guaraná da madrugada, e meu biscoitinho de canela e meu cigarro. Espero fumar até morrer, mas como quem espera nunca alcança, nunca consigo morrer dele. Dizem que tem veneno de rato nos cigarros. E daí? Os ratos é que estão bem. Tem mais rato na Terra do que gente. Eles não estão morrendo nem com chumbinho. Estão melhores que os Homens que morrem com qualquer porcaria.

Um minuto... estão batendo na porta. São 5 da manhã. Só pode ser a novalgina da farmácia ou uma puta que eu contratei há uma semana atrás, mas que sempre teima em chegar atrasada. Se for assalto tudo que eu tenho são cinco reais e o cara vai ter que fazer uma trajetória eliptica até o buraco onde se esconde! HUAHUAAU!

Vou atender a porta. Boa noite, otários. Vão dormir sonhando com elipses agora! HUAHUAHUA!



2 comentários:

Claudia Bistrichi disse...

E, ASTRA e FARIZEU ri muito...

O texto exprime o lado rebelde do Alam

Boa noite otarios isso não foi legal

Alan Sommer disse...

Não fui eu que chamei de otário, foi a personagem.