sexta-feira, 17 de junho de 2011

Soneto de Humanidade

Se sou a pedra que o limo cobre
Posso ser a onda que avança à areia
Se sou a lava que do vulcão escorre
Posso ser o inseto que se prende à teia

Posso ser pássaro e não ter asas
Posso ser o que sou sem mesmo ser
Ser de fogo e não ter brasas
Ser de todos sem os conter

O princípio após o fim
A vontade dos laranjais
O firmamento a se desfazer...

Sei que vão falar de mim
Que posso tudo e nada mais
De ser humano e não sofrer

Um comentário:

claudia disse...

Lindo, emocionante, perfeito em forma, conteúdo e coração! O rigor com a métrica, em seu caso, enriqueceu o sentimento embutido, ou melhor, escancarado daquilo que somos ou queremos ser em suas linhas! A forma não perece em detrimento da idéia, o contrário também não acontece! A condição humana, suas fraquezas e o esforço em "existir", mesmo cansado em uma sociedade antropofágica, berra em cada cada palavra, e ao fim, um grito sussurrado cala a alma.