quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ensaio sobre a velhice


Não há nada que o Homem tenha inventado a não ser o plástico. Por isso eu vou tocar uma punheta. Deus sabe o que é punheta. Punheta é a coisa mais natural que existe. Foi Deus que inventou a punheta.

Agora...

Porque, Deus! Eu vos pergunto... porque, meu Deus?! Possuir vida e depois morrer?
Qual o mistério, qual a ligação, qual a relação, que minhas rugas não conseguiram ainda desvendar...?

Será a vida um descuido da morte? Ou será a morte a grande ilusão da vida? Serão amigas? Serão primas que se odeiam? Será uma a mãe da outra, ou serão as duas a mesma coisa? Dependendo do grau de Lexotan que se toma podem ser cobra e rabo, dente e gengiva, precipício e sorte...

Será a vida o primórdio e a morte a mixórdia? Qual das duas será o caos real? Porque toda vida é caótica; a morte nunca. Será que vivemos para morrer ou morremos para viver? Será a morte uma palavra feia mesmo? Em inglês "morto" soa bem parecido com "papai": "dead", "dad"... Só os povos frios conseguem aproximar tanto sons tão antagônicos. Será que esses povos "frios" e ricos morrem mesmo?

O maior símbolo da morte é o sangue, e nunca a cruz. Sangue que é símbolo de vida. Pelo menos, para quem precisa desesperadamente dele. A morte é sempre pálida.

A morte é um ocaso, a vida é um caso. A vida sempre se esvai, a morte sempre vem. Fazer parte da vida é fazer parte de um clã. Será que a morte tem cabelos? Será que é uma oportunidade às avessas? "Cuidado, irmão! que a oportunidade é careca e tem um fio só de cabelo! Mas não mexa nesse fio, amigão!" Até que um dia um vento sopra e lá se vai o fio sabe-se lá para onde...

Em muitos países desenvolvidos o suicídio é coisa comum. Morte sempre foi coisa cult. Da literatura grandiosa até o tráfico de guerras só dá morte. Nem o sexo ganha dela. Fala-se mais de morte do que qualquer outra coisa. E se o dinheiro gira o mundo a morte é o que faz girar. Mas o grande lance é a vida. Porque é ela quem manda na morte e não o contrário. Se a morte é o grande descuido da vida, a vida tem, portanto, teoricamente a morte nas mãos. Na prática a pessoa pode morrer de qualquer coisa. Porém a morte inevitável, aquela que apesar de toda a sorte que o sujeito possa ter até os 120 anos, é a morte por desidratação. O corpo vai envelhecendo, envelhecendo... e morre da incapacidade de absorver água. As células ficam nubladas, perdem a reação, tornam-se claustrofóbicas, seus olhos de célula ficam fixos, imploram por um Pinel, por um funil! A elasticidade já não existe. Sangue não é vida, amigo, vida é água!



"Mas envelhecer pode ser bom, cara..." Vivemos num tempo em que existem vídeogames, e como a velhice é o derradeiro "retorno" à infância, até que nossos tempos são bem mais agradáveis para os velhos, que podem pelo menos fingir que são jovens virtualmente e explorar seus viagras em chats da internet com meninas de 15 aninhos que já sabem tudo de sexo e “funk”. E “funk” pra mim é morte.

Eu mesmo decidi que, casado ou não, quando atingir uns 90 anos, vou ser um velho hedonista, sexual e completamente mal-educado, exibindo minha linguinha cheia de estrias e sem gosto algum às menininhas novinhas do metrô. Claro que vou escolher as de 18, porque pedofilia já é outro “desvio de septo”. Mas vou ser capaz de levantar num metrô e botar a bengala pra fora, pintar o mundo de amarelo, fazer xixi nos portões do Palácio da Guanabara, cagar pro público sem medo de me borrar. Sem medo de ser preso. Sem medo de revolver ou cacetete. Vou abrir a boca quando me der na cabeça e a cabeça quando minha boca bem desejar. Vou poder me agarrar na Lua, e cuspir na pele pra pegar um Sol. Velhice seu nome é liberdade! Mas doerá minha coluna....?



Sei que esse texto deve estar incomodando muita gente. Peço perdão. Não era a minha intenção. A minha intenção é talvez dizer que perde-se muito tempo esperando chegar o momento em que nossa vergonha acaba. Então por que não acabar com ela agora? Porque não viver? Porque não viver em demasiado, tão loucamente que a morte nunca o alcance! Pois se não há como enganá-la, há como dar um belo pontapé. Seja com lexotan, seja com rivotril ou com maconha (se bem que essa fará seus neurônios perderem a corrida mais cedo...). Mas sim...VIVER! Viver com M maiúsculo!

Quando a Claudia Tonelli, minha namorada, e maior maquiadora e inventora de personagens que existe, me ofereceu ser sua "cobaia" ("modelo"? eca!) eu fiquei com medo. Medo de me ver velho. Medo de me ver numa situação de inferioridade pré-concebida. Medo de chegar antes de ir. Medo de ver o que talvez eu nunca serei se Deus se zangar comigo antes da hora. Medo da realidade, da perda inevitável de água, medo de me ver triste e velho e fodido. Medo de acabar sendo tempo-transportado contra a minha vontade antes da hora...

Mas durante o processo fui achando interessante. E com mais graça ainda, pois só me foi permitido constatar o resultado ao término do trabalho, e quando me vi com uns 90 anos senti o que eu realmente queria sentir. Senti que vou mesmo mostrar minha língua pras meninas bobocas do metrô, pras patricinhas do calçadão da barra, e que vou morrer feliz com uma super dose de viagra na veia.







(FOTOGRAFIA E CARACTERIZAÇÃO DE CLAUDIA TONELLI)

5 comentários:

claudia disse...

Foi uma honra e uma alegria fazer essa dobradinha com você, meu livre pensador! Beijos em cada canto da sua alma linda como você.

Sua Claudia.

Gisele Aguiar disse...

Sinceramente? A velhice é um conceito, uma abstração.....Conheço gente de 90 anos que não pode ser chamada de velha ou velho nem pelo caralho...Corre, malha, viaja, vai ao teatro, exercita os seus neurônios diariamente, e ao contrário, conheço pessoas da minha idade( 28 anos) que são idosas até a alma. Sabe aquelas pessoas que têm tudo da vida e vivem com cara de "cu"?!!!!!Eu ligo o botão FODA-SE e caio fora. Não sei o porquê, mas sempre fui mais "enturmada" com as senhoras ( leia-se 60 anos pra frente). Nunca gostei de malhar com as "garotas" da minha idade, enquanto elas estavam fazendo "agachamento" pra levantar não sei que parte do corpo, eu tava nas aulas de hidroginástica com as "velhinhas" de 50, 60 anos. As "garotas" da minha idade suando que nem umas loucas pra ter a bunda empinada e a perna turbinada, e eu , feliz da vida, rindo e absorvendo toda a experiência de vida que aquelas "jovens senhoras" tinham a me oferecer....NÃO ME ARREPENDO. Posso não ter a bunda empinada e a perna turbinada ( pelo menos, eu já nasci com pernas grossas, morram de inveja suas ratas de academia heheheh)mas tenho tanto a falar, tantas experiências a compartilhar com meus amigos, que ME SINTO PLENA.

Alan Sommer disse...

É isso aí!!!!!

Alan Sommer disse...

Eu gostaria de saber que em Mountain View, CA, USA, lê o meu blog! :)

ALICE disse...

Velho tarado vc,isso sim,kkk