domingo, 19 de junho de 2011

Coito Apartamental

"Eu não me incomodo de DIVIDIR o lado do SEU armário com você, amor." Essa frase pode parecer pueril, normalíssima. Mas no fundo é o cúmulo do assédio sexual. Significa uma invasão maior do que a do dia D. Só que em terras de Alan.

Ainda por cima, enquanto escrevo este texto, já me mandou calar a boca umas três vezes, sei lá o porquê, nem falei nada, to escrevendo, ora bolas! Durante o progresso mental, preciso me inspirar, veio me perguntar sobre qual saínha devia pendurar no armário DELA. Interrompeu meu fluxo mental mais uma vez. Pedi enlouquecidamente que me deixasse escrever ao que recebi como resposta: "Claro, desculpe, não vou mais interromper o gênio trabalhando." Disse isso com o maior amor. Juro. Mas continua derrubando coisas no armário DELA, e murmurando pensamentos abstratos completamente femininos sobre lingeries, ou similares.

A mulher é um ser insidioso no bom sentido. Mulheres são felinas, homens são símios. Enquanto nos masturbamos em cima do armário, elas vão pendurando cabides que surgem do vácuo do nada. Quando você vai ver está possuído. Tudo seu passa a ser delas. "Isso aqui é um porta-sapatos..." Ela acabou de dizer. E enquanto escrevo será que eu devo pensar: "que legal, que novidade ou que honra isso ser um porta-sapatos?".

É assim que as pessoas vão se entrelaçando. O processo do acasalamento humano não é sexual, é "apartamental". A invasão é toda delas. Elas vão se embrenhando, se enfiando, e quando você vê está vivendo um coito comportamental, sendo literalmente comido por trás, por elas. São elas que comandam, de fininho, se chegando e assumindo, se amalgamando à sua massa encefácilca, ocupando pedaços por pedaços da sua alma, tudo aos poucos sem você perceber. De forma inteligente e eficiente. Comem pelas bordas.

Tudo o que o símio quer é trepar. Tudo o que o felino quer é ronronar e ir se esfregando em você até que sua pele grude, te tome, te conquiste.

A diferença é que o felino não precisa do dono, ele se vira sozinho. A mulher não. A mulher passa a existência planejando como vai enfiar cabides em algum símio.

Em tempo: a felina acabou de achar uma peça de roupa íntima feminina, desconhecida dela, que estava no OUTRO armário... onde ela definitivamente não deveria estar mexendo, até porque ela estava invadindo o armário contíguo.  Pois então...enlouqueceu. Pegou a peça íntima que eu ganhei de uma mulher há pelo menos uns 7 anos, e só estava guardada por que homens são símios e os símios nunca esquecem, ou pelo menos gostam de recordações, e triturou a peça se utilizando de uma caneta Bic muito da pontuda. Fazendo isso em minha direção, com cara de marciana de mau-humor numa súbita TPM fora de época, me deixando com medo de que eu seria a próxima peça de roupa a ser furada e rasgada até o fim.

Exponho neste post o que restou da calcinha da coitadinha da menina que não teve culpa de nada. Óbviamente mantive em sigilo o nome da menina.



Fiz minha namorada jurar que não me mataria, nem se mataria, nem faria qualquer mal à minha caneta Bic favorita e etc. No momento a invasão do dia D continua. Definiu ordem para as minhas gavetas de camisas, definiu uma para ela e uma para as sujas (símios geralmente jogam no chão e depois lavam). Continua murmurando uma mistura ininteligível de imprecações e amenidades que conjugam nada.

Conclusão: ...arrumou meu quarto todo (para "relaxar", disse...) e ela nem está se mudando!

PS- Está implorado pra que eu escreva no texto que eu a amo!

4 comentários:

Anônimo disse...

amei a destruição da calcinha...eu faria o mesmo...ou pior kkkkkk bjs

Alan Sommer disse...

Fale aí quem você é Anônimo. Se revele. :)

Caró disse...

Depois de ler o Blog da Claudia, vim ler o seu. Que divertido!

ass: caró

claudia cristina tonelli disse...

Um dia vc me amou.