sábado, 28 de maio de 2011

Imortalidade


Há que se preocupar com o desejo de imortalidade. Uma pedra é imortal. Seguindo pelo espaço, soltando radiação; ou morto asteróide, tudo que sabemos ser nesse universo é pedra. Será que a pedra pensa? Porque se pensa é Deus. Mas se não pensa é nada. E o que é o nada senão a imortalidade também? Pois para o "nada" mesmo não há palavras que o possam descrevê-lo.

Somos seres radiantes? Radiantes sim. Mas seres? O que é um ser? Ser é algo mortal (ou não?). Conceitos novos aceitam uma pedra como parte de um "ser" maior, de algo "humano" ou divino, que chamamos de natureza. Essa interação poderia ser imortal. Ou não.

O grande drama do Homem é sua finitude. Pois é tão bom estar aqui, mesmo na mais evidente miséria, na maior consternação síndrome de down, etc. O ser deseja ser. Existir é uma faca de dois gumes. "Everybody Wants to Live Forever" dizia o sucesso musical dos anos 80...anos que se foram e acabaram.

Tudo morre, mas tudo se "desimortaliza"? E o amor? Sentimento tão fugaz pode ser imortal enquanto dure, ou eterno, não lembro bem. O poeta sabia, mas agora não sabe mais nada? Não segue, não acompanha a evolução ou desaparecimento momentâneo de sua arte? Porque a arte, essa é imortal. A verdadeira arte sobrevive mesmo numa gaveta trancada de um mosteiro do século XIII. Até que algum mortal a encontre, ela está lá, incólume. Ou não! Sendo comida por traças e vermes, pela erosão do tempo que na verdade não há, é apenas o movimento. Tempo é movimento. Não existe quarta dimensão. Não existe corrente que nos arrasta pelas vastidões espaciais. Tudo isso é uma imensa bobagem. Existe apenas o irreparável movimento das coisas, e a ilusão que esse movimento nos causa.

A pedra é o ser perfeito. A árvore quase. Nós somos os mais mortais de todos. No meio dessa farinha desorganizada num tecido que cobre a mesa de Deus, tenho muito medo de virar pão. Ou de ser expanado de repente, e tudo que compus ir embora com o tempo-movimento.

Às vezes acho que as pedras amam. Senpre tive uma relação fraternal com elas. Mesmo quando se dissolvem  e viram areia não deixam de ser pedra. Já nós, viramos alimento. Da pedra só de alimenta o limo e a erosão, o mar, o rio... mas no final acaba se transformando em sal mineral, que é pedra.

Tenho uma teoria de que o abacaxi, como qualquer outra planta possui o dom, a possibilidade da vida eterna, da imortalidade, e vou explicar como:

Quando você planta uma semente de  abacaxi brota um abacaxi, óbvio. Esse abacaxi cresce e vai dar num outro abacaxi. Um dia um pombo vai se alimentar desse abacaxi e levá-lo, sua cópia, seu clone, para outro lugar. O DNA será o mesmo? Acredito que sim. E assim se perpetua a natureza. Evoluíndo dentro de um conceito de imortalidade. Nós, humanos e também os bichos não. Nós nos misturamos e apenas podemos esperar coexistir no futuro dos nossos próximos. Até que um dia alguma pedra vinda do nada nos colida e nos transforme em nada. Porém a pedra, essa sim, matéria "orgânica" divina, esta se divide, se amálgama, vira poeira, mas nunca deixa de ser imortal.

Por isso o amor é tão importante em nossas vidas. Por ser ele possuidor das características das pedras.

Um comentário:

claudia disse...

"O tempo é apenas a deslocação de tudo que existe...(você me segredou isso um dia, que só agora entendi)" Você deixaria alguns físicos loucos, maravilhoso! "Na movimentação de tudo que existe", multiplicam-se suas sensibilidades, "quiça" seus neurônios, multiplica-se ainda minha admiração pelo cara mais inteligente que conheço...e meu amor...esse nem se mede...
Parabéns, Alan Sommer!

Beijoooooooooossssssssss