quinta-feira, 19 de maio de 2011

Estilo B.

Sinto-me penalizado por mim mesmo. Tenho sentido inspiração a escrever bem às cinco da manhã quando era o meu sonho que deveria estar me contando histórias e não eu pra qualquer um. E essa pena dói porque embora vagabundo, tenho uma pá de tarefas a serem cumpridas amanhã, e um esforço enorme pra suceder na vida como sempre me encheram aqueles que me pregaram na cruz e me alimentaram ao mesmo tempo.

O fato é que eu entrei no quarto e logo vi que não tinha nada pra beber. Fui até o boteco mais perto da Hollywood brasileira, que dista umas 2 milhas da onde moro e finalmente consegui ver umas garrafas. Só tinha merda. Voltei pra casa com um rum Bacardi do bom, e um vinho do porto. Cumprimentei várias "trabalhadoras" noturnas no caminho. São gente fina. Se eu fosse jornalista só entrevistaria puta. Acho a profissão mais digna do mundo: ser puta. Ser puta é tudo o que uma mulher deseja quando ela nao deseja ser puta. Uns travestis vieram tentar roubar meu porto, chutei-lhes os bagos e acabei com suas profissões. Agora eles podem se mandar pra China que lá os eunucos têm cargos altos, ou pelo menos tinham há uns 2000 anos atrás. Quando o imperador morria era sepultado com seus serviçais vivos. Acho isso o cúmulo do egocentrismo, ou da baixa auto-estima. O cara nem na morte consegue vencer o medo do escuro. Eu sempre tive medo do escuro. Quando era criança disseram que eu era um idiota, um retardado, que deveria pular um ano escolar para trás. Me mandaram a uma psicóloga, muito da gostosa, mas na época eu nem sabia que isso existia, tinha 5 aninhos apenas (se fosse hoje traçava ela), e ela além de perder tempo me aliciando com "aulas" de educação sexual, me fez um teste de QI. Resultado? Fodão. Sou um Einstein embora mesmo assim ninguém acredite. Nem mesmo minha mãe. Mas não há nada que o Bacardi não cure, e meia garrafa já entrou por essas linhas mal traçadas.

Espera! Acho que estou ouvindo batidas na porta. Não pode ser, o pessoal aqui tá dormindo que nem paralelepípedo. Sempre quis usar esta palavra num texto: consegui. Huahuahua! Não, fiquem tranquilos, a vizinha está fodendo e o namorado dela é um gay muito do King-Kong. Eu conheci uma vez uma menina muito louca, porém asseada e culta, que saía com um cara de alcunha King-Kong. Um dia liguei pra ela e ela atendeu num motel. "Espera Alan que to no motel com o King-Kong... ih cacete o cara quase engoliu a garrafa de coca-cola inteira! Putz... que arrotão! Não sei como saio com homens assim, Alan, eu devia é parar de trair o meu namorado, que tem grana e me trata bem. Bom, tenho que ir, pois o King tá de volta e tá nervoso."

Porra, acabou o Bacardi, vou ter que partir pro vinho! Será que álcool combina com Rivotril e "brochest? Bom, enquanto se escreve não se morre. Então tá tranquilo. Se eu tivesse em Hollywood agora eu ia dar uma volta no meu antigo e imenso quarteirão. Coisa enorme. Só a circunferência dá a praia de copacabana inteira. Mas eu gostava de perambular que nem um otário curtindo a minha solidão, depois de encher a cara com cerveja irlandesa bem forte, tipo Ale, que quase chega a ser considerada licor e são ótimas. Melhores que as merdas que se vendem aqui nesta cidade de merda. Cerveja brasileira é mijo. Acho que na fábrica ficam uns negões mijando e a torcida do flamengo acreditando que aquilo alí é lúpulo. Se bem que tem quem tome mijo e goste. Dizem que faz bem à saúde. Se fizesse a gente não expelia, é ou não é?

Lembro que um dia em L.A. depois de um show meu, às 4 da matina, entrei num supermercado e fui aliciado por uma velha bebada e alcoólatra que me jurou que era da indúistria fonográfica. Me encheu o saco e deixou um telefone pra eu ligar naquela mesma madrugada. Liguei. Atendeu o suposto marido da louca. Blablablou 3 horas seguidas sobre o mercado fonográfico, e eu só tentando identificar alguma verdade naquilo. Sabe como é né? Músico deseperado naquela cidade dos "sonhos" só não vira stripper porque é feio e homem. E não é que o sujeito entendia mesmo do business! Até acreditei no palhaço, mas é óbvio que não deu em nada. Dias depois a mulher me ligou e confessou que só queria me comer. Resolvi minha frustração profissional tocando uma punheta. LA é um grande lugar. Sinto falta das gangues de rua, das prostitutas que ao contrário daqui, tentam parecer donas de casa e te namorar. Isso aconteceu comigo, mas já bebi muito pra contar. Só me resta um cálice de vinho e daqui a pouco o dia vai clarear e essa merda de sociedade vai levantar e fazer as mesmas merdas de sempre, e foder as suas mulheres idiotas e nojentas e por obrigação.

Só pra terminar eu gostaria de dizer que estudei numa merda de colégio chamado Max Nordau, o qual eu desprezo e que foi incorporado a um outro um pouco mais digno. Fica na rua Prudente de Morais em Ipanema, e sempre que eu pego um ônibus eu sinto o prazer de estender meu dedo médio sempre que passo por ele. Antro de marginais que não merecem o uísque que eu desencavei agora no armário da minha sala. Um dia, há mil anos, eu quis entrar no colégio M-A-X-N-O-R-D-A-U pra botar uns flyers de aula de violão. Tentando ganhar alguma graninha com a meninada ingênua que não sabe onde se meteu. Fui barrado na porta. Não adiantou dizer que sou judeu, nem que cursei naquele lugar purulento à vida inteira. Me trataram como um pústula periculoso que poderia invadir a escola e aliciar meninos com panfletos de aulinhas de violão. Logo eu que sofri na mão daqueles covardes que tratavam crianças de acordo com suas reminiscencias de perseguições judaicas, possivelmente. Tudo que eles merecem agora é o meu dedo médio a cada viagem de ônibus por Ipanema. Pelo menos relaxo.

Bom, acabou o álcool. Vou dormir. Meus amigos de verdade sabem que eu só tomo chazinho de camomila e coca-cola. Mas vocês vão ou não vão acreditar nisso, hein?

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