sexta-feira, 18 de maio de 2007

Arte

Esse mundo está equivocado. A cantora não tem que ser bonita, nem o compositor tem que subir no palco e contar piadas, nem o cantor tem que ter olhos verdes, nem o ator tem que tirar a roupa, nem o escritor tem que fazer rir em feira literária, etc.

Billie Holiday era puta e feia. Dostoievsky era um neurótico, viciado em jogo. Balzac morreu trancado num quarto escrevendo até não poder mais. Poe morreu bêbado na sarjeta. Bach foi esquecido por cem anos. Mozart morreu louco como indigente. Quase ninguém nunca ouviu falar de Assêncio Ferreira. Quase todos os grandes músicos de jazz enterraram suas miseráveis vidas na heroína. Aldous Huxley nunca escreveu um livro alegre. Tchekov também não. Os músicos românticos morriam de tuberculose e absinto. Noel compôs Último Desejo, tísico, no leio de morte. Oscar Wilde foi preso e condenado ao ostracismo até sua morte.

Eu tenho pena desse mundo de hoje em dia, que cultiva a alegria do artista como forma de entretenimento e talento. Toda arte apenas alegre está necessariamente voltada à alienação das massas. Essa arte é burra, e não me interessa. Só vejo beleza na profundidade das coisas, que é o esconderijo do artista, a caverna do mundo, a fantasia que esconde. O artista verdadeiro não é um palhaço tentando agradar uma platéia. O artista verdadeiro é um ser sofredor, que vive sua arte como forma de canalizar e expelir toda sua dor. Porque não existe arte sem dor. Porque arte dói.



3 comentários:

Gabriela Simionato Klein disse...

Mas não tem necessariamente que matar! E nem toda dor é artística. Mas que eu não me importaria com a morte de alguns "artistas" por aí, ahh, isso eu não me importaria.
Acho que o conflito é que dói, a sensibilidade. E tem gente que canaliza bem a criatividade e vive sem tantas agruras, como os impressionistas. Morreram todos velhinhos!

Guga Brandão disse...

a arte dói, ponto final. que grande e verdadeiro pensamento.

Anônimo disse...

Se nao mata fisicamente, emocionalmente. A arte é um karma e dói, desde o seu invento até a maldita esperança do reconhecimento. Pois nenhum artista gosta de trabalhar de graça embora quase todos se entreguem dessa maneira por não terem outra opção.

Mi